Uma nova classificação de doença hepática tem chamado a atenção de especialistas por combinar dois fatores já conhecidos por causar danos ao fígado: acúmulo de gordura no órgão e consumo frequente de álcool. Batizada de MetALD, a condição pode aumentar significativamente o risco de doenças graves, como fibrose, cirrose, câncer e até falência hepática.
A condição surge em pessoas diagnosticadas com MASLD, nome dado atualmente à doença hepática associada à disfunção metabólica, antes conhecida como gordura no fígado ou esteatose hepática, que envolve o consumo regular de bebidas alcoólicas. Mesmo ingestões consideradas moderadas já entram no radar médico. Pesquisadores alertam que a combinação entre gordura acumulada e álcool cria um cenário mais agressivo.

Dados recentes indicam que indivíduos enquadrados nesse perfil podem ter risco até três vezes maior de desenvolver fibrose hepática, processo marcado pelo aparecimento de cicatrizes no fígado que comprometem seu funcionamento. Estudos também apontam que episódios de consumo excessivo de álcool aos fins de semana podem agravar ainda mais o quadro, mesmo em quem não bebe diariamente.
Doença que ataca o fígado preocupa à comunidade médica
O alerta ocorre em meio ao avanço global da MASLD, doença que já afeta cerca de 1,3 bilhão de pessoas no mundo e pode alcançar 1,8 bilhão até 2050, segundo projeções científicas. A condição costuma evoluir silenciosamente durante anos, sem sintomas, aumentando o risco de cirrose, câncer hepático, infarto e AVC. América Latina e Brasil aparecem entre as regiões com maior prevalência do problema.
Especialistas defendem que exames preventivos, redução do consumo de álcool, alimentação equilibrada e controle da obesidade e do diabetes são medidas essenciais para evitar o agravamento dessas doenças hepáticas. O consenso médico é de que o fígado pode permanecer sem dar sinais por muito tempo, mas os danos acumulados tendem a aparecer quando o quadro já está avançado.





