Apesar de ser um crime conforme a Lei 9.605/1998, o abandono de cães e gatos é um mal que existe por todo o Brasil. Dificilmente as pessoas passam por alguma cidade e não veem um animalzinho doméstico sozinho. Visivelmente com cara de quem sofre as mazelas de antigos “pais de pets” ou tutores sem consciência dos perigos.
De acordo com uma estimativa oficial, o número de cães e gatos abandonados no Brasil é de 30 milhões. O número se mantém estável desde 2020 e alerta para o problema que se vive no país em relação ao cuidado dos pets. Houve avanços no tratamento de algumas famílias com os animais, porém, ainda perdura uma relação de “dono” e “proprietário”.
Logo, a pessoa se vê no direito de descartar os cães ou os gatos como se não “servissem” mais. Para a presidente da Comissão Técnica de Bem-Estar Animal do Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado de São Paulo (CRMV-SP), Daniela Ramos, “ser responsável por um animal de estimação e conviver com ele exige que se ofereça todas as suas necessidades, tanto físicas quanto emocionais”.
Por isso, Daniela Ramos defende veementemente que haja um planejamento antes de se adotar cães ou gatos ou qualquer outra espécie de animal doméstico. Muitas pessoas ainda não têm consciência real do impacto que a presença do pet causa na rotina. Assim, sem o preparo, deixa de suprir as vontades físicas e emocionais.
“Muitos casos de abandono poderiam ser evitados se, antes da adoção, as pessoas refletissem sobre questões práticas como o que fazer com o animal em caso de mudança? Quem cuidará dele durante uma viagem?”, explica Daniela Ramos. Questionamentos como esses fazem as pessoas pensarem melhor nas alternativas e melhorar a vida de cães e gatos, que costumam viver em torno de dez anos.





