Abandonado há mais de duas décadas em uma área dentro do Aeroporto Leite Lopes, em Ribeirão Preto (SP), está um pequeno avião fabricado em 1960 pela extinta União Soviética. Conforme análise de especialistas, o veículo é o único no Brasil, fator que tem levantado diversos questionamentos, especialmente pela forma como desembarcou no país.
As informações preliminares dão conta de que a nave foi utilizada por um clube náutico de Belo Horizonte (MG) para voos fretados de associados pelo Brasil entre 2001 e 2002. No entanto, foi apreendida em 2002, depois de realizar um pouso de emergência no interior de São Paulo. Segundo as investigações, o avião não cumpria com as normas para o transporte no país e, desde então, nunca mais foi retirado do município.

Embora os entusiastas tenham criado teorias mais elaboradas, a aeronave foi destinada pelo Governo Federal em 2007 à Escola de Engenharia de São Carlos, da Universidade de São Paulo, para fins educacionais. O problema é que a transferência nunca foi feita devido ao alto custo, estimado entre R$ 200 mil e R$ 300 mil.
“Hoje não é viável comercialmente, economicamente, até porque o avião está bem degradado. Segundo, que esse é um avião, é um exemplar único no Brasil, então não tem mecânicos que conheçam esse avião, não tem peças de reposição, ou seja, seria muito difícil colocar um avião desse em estado aeronavegável”, explica o professor de engenharia aeronáutica da USP São Carlos, James Rojas Waterhouse.
Mas, afinal de contas, como o avião foi parar em São Paulo?
O avião, correspondente a um jato modelo Yakovlev Yak-40, apresenta capacidade para 40 passageiros e autonomia de três horas de voo. A aeronave foi utilizada na extinta União Soviética para o transporte regional de passageiros. No entanto, foi comprada de São Tomé e Príncipe, no continente africano, por um clube náutico de Belo Horizonte.
Com a aeronave em pleno funcionamento na época, chegou a operar diversos voos para o Rio de Janeiro e Paraná. Apesar de ter realocado centenas de passageiros, foi apreendido em Ribeirão Preto por irregularidades em sua atuação. Por consequência, acabou sendo apreendido definitivamente pela Receita Federal, que destinou o avião à Escola de Engenharia de São Carlos.





