Apesar de o Brasil ser considerado o país mais rico da América do Sul atualmente, o prestígio poderia ser facilmente tomado se não fossem questões políticas depredando a história da Venezuela em um passado remoto. Conforme avaliação do World Atlas, a nação vizinha é detentora das maiores reservas de petróleo em todo o planeta, superando, inclusive, a Arábia Saudita.
O detalhe curioso é que, mesmo imerso em grave crise humanitária, o país sul-americano já chegou a ser chamado de “Arábia Saudita da América Latina”. A alcunha somente foi possível graças ao acúmulo de dinheiro impulsionado pela exploração do petróleo e pelo alto padrão de vida de sua população durante grande parcela do século 20.

Sobretudo, no período em questão, a nação vizinha ao Brasil assumia o protagonismo continental por ser um dos maiores produtores de petróleo do mundo. Nesse intervalo, a queda do regime militar de Marcos Pérez Jiménez, em 1958, impulsionou a Venezuela a patamares inigualáveis. Em resumo, o crescimento médio anual foi de 4,3%, o desemprego se manteve em torno de 10% e a inflação estava descendendo.
Conforme os dados da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), nos anos de 1970, os venezuelanos tinham o maior poder de compra da América Latina, quase três vezes superior ao apresentado pelo Brasil. Por consequência, Caracas exibia prédios exuberantes, rodovias amplas e hotéis considerados luxuosos para a época.
Da ascensão ao colapso total
Entre as décadas de 70 e 80, a Venezuela assumiu o posto de país mais rico da América do Sul, chegando, inclusive, a estar no rol dos 20 mais prestigiados financeiramente do mundo. Nesse período, o Produto Interno Bruto (PIB) venezuelano era de US$ 122,9 bilhões (R$ 659,6 bilhões na cotação atual), com crescimento de 3,4%.
O problema é que a trajetória impecável começou a depredar-se com a dinastia de Hugo Chávez ao poder, ganhando tons ainda mais dramáticos sob a gestão de Nicolás Maduro. De acordo com especialistas, o declínio financeiro foi potencializado pela unificação do desgoverno, corrupção crescente, envolvimento com o narcotráfico e restrições a direitos civis e democráticos.
Para se ter uma noção do colapso, entre 2014 e 2021, o PIB do país caiu cerca de 70%. Ainda que apresente mais de 300 bilhões de barris, a nação sul-americana deixa a desejar em outros aspectos. Em síntese, cerca de 51,9% da população enfrenta fome e pobreza. Por sua vez, em meados de 2024, a Organização das Nações Unidas (ONU) revelou que 5,1 milhões de pessoas não têm o suficiente para comer no país.
O potencial energético do país, especialmente no tocante às reservas de petróleo, deveria ser a garantia de prosperidade e desenvolvimento, mas a realidade dramática escalona devido às prioridades governamentais. A Venezuela encara uma das crises econômicas mais graves de sua história, com hiperinflação e escassez de divisas estrangeiras.
Nos últimos dez anos, o Produto Interno Bruto (PIB) da Venezuela caiu cerca de 73%. Embora o ex-presidente Maduro tenha relaxado os controles cambiais e outras regulamentações para impulsionar a economia em 2019, o país sofre o segundo maior nível de fome na América do Sul, depois da Bolívia, de acordo com a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura.





