Embora tenha uma economia muito menor que a do Brasil, o Chile conseguiu alcançar um nível de saneamento básico que chama a atenção de especialistas em toda a América do Sul. Em 2025, o país apresentou um Produto Interno Bruto (PIB) nominal estimado em cerca de R$ 1,96 trilhão, valor muito inferior aos R$ 12,7 trilhões do Brasil. Ainda assim, praticamente toda a população chilena tem acesso a água potável e serviços de esgoto.
Dados de entidades do setor indicam que cerca de 99% dos chilenos contam com abastecimento de água tratada, enquanto aproximadamente 94% possuem acesso a sistemas de coleta e tratamento de esgoto. No Brasil, por outro lado, apenas cerca de 49% da população é atendida com rede de esgoto e tratamento adequado, o que evidencia uma diferença significativa na infraestrutura sanitária entre os dois países sul-americanos.
Grande parte desse resultado no Chile está associada ao modelo adotado desde a década de 1990. Naquele período, o país implementou um sistema baseado em concessões privadas reguladas pelo governo. Atualmente, cerca de 94% dos serviços de saneamento são operados por empresas privadas, supervisionadas pela Superintendência de Serviços Sanitários (SISS), responsável por garantir padrões de qualidade e fiscalização.
País da América do Sul é referência em saneamento básico
A estratégia permitiu a ampliação rápida da infraestrutura, com investimentos em redes de distribuição e tratamento de efluentes. Como consequência, o tratamento de esgoto alcança a maior parte dos municípios do país vizinho ao Brasil, algo que ainda representa um grande desafio em diversas regiões brasileiras, onde limitações financeiras e burocráticas costumam atrasar projetos de expansão.
Além disso, o Chile também apresenta um PIB per capita superior ao do Brasil, reflexo de uma economia mais eficiente em relação ao tamanho da população. Especialistas apontam que o caso chileno demonstra que políticas públicas consistentes, regulação eficiente e planejamento de longo prazo podem ser determinantes para melhorar a qualidade de vida da população, independentemente do tamanho da economia nacional.





