Especialistas indicam o consumo de alimentos naturais, tendo em vista seu alto caráter nutricional para a saúde. Apesar do alerta ligado, produtos ultraprocessados permanecem integrando o cardápio de milhares de pessoas. Diante da prática prejudicial, um estudo recente comprovou que, independentemente da quantidade de ingestão calórica de itens industrializados, as consequências são devastadoras.
Na prática, apresentam perigos porque são nutricionalmente desbalanceados, contando com elevado teor de açúcares, gorduras saturadas, sódio e aditivos químicos. Como resultado da baixa concentração de nutrientes, o consumo excessivo está fortemente associado à obesidade, diabetes, doenças cardiovasculares, câncer e até dependência, agindo como vício.

De modo geral, foi constatado, em ensaio clínico, que os seres humanos não são blindados das consequências trazidas pelo consumo exagerado de alimentos industrializados e processados. Conforme o estudo liderado pelo biólogo Romain Barrès, pesquisador do Instituto de Farmacologia Molecular e Celular de Sophia Antipolis, os produtos apresentam profundo impacto em processos biológicos.
“Ficamos surpresos com a quantidade de funções do corpo que foram afetadas por esses alimentos, mesmo em homens jovens e saudáveis. As implicações de longo prazo são alarmantes e indicam a necessidade de revisar as diretrizes nutricionais”, afirma Romain Barrès, autor sênior do estudo, evidenciando o ganho de peso rápido e significativo, deterioração da saúde cardiometabólica, desequilíbrio hormonal e comprometimento da fertilidade masculina.
Para entender, de forma ampla, os impactos da ingestão desses alimentos, a Organização Mundial da Saúde (OMS) confirmou que 2,7 milhões de mortes ocorrem na Europa pelo consumo constante desses alimentos industrializados. “O consumo de alimentos ultraprocessados aumentou consideravelmente em todo o mundo, representando agora mais de 50% da ingestão total de energia no Reino Unido, Austrália, Canadá e EUA“, defendem os pesquisadores.
Como a pesquisa ocorreu?
Para que o levantamento fosse possível, os cientistas recrutaram 43 homens entre 20 e 35 anos. No processo, cada voluntário passou três semanas em uma dieta de ultraprocessados e outras três em uma dieta com alimentos in natura, com intervalo de três meses entre as fases. Na prática, todos os processos tiveram a mesma composição de calorias, proteínas, carboidratos e gorduras.
Por sua vez, em parcela do grupo, os pesquisadores acrescentaram 500 calorias extras por dia, enquanto na outra, a quantidade foi ajustada ao perfil de cada participante. Mesmo com as imposições, ficou comprovado que, em média, os homens ganharam 1 quilo a mais de gordura corporal na dieta ultraprocessada em comparação com a natural.


