O aumento dos casos de dengue na América Latina tem ampliado a preocupação de pesquisadores e autoridades de saúde. Estudos recentes conduzidos na Argentina identificaram populações de Aedes aegypti resistentes aos inseticidas mais utilizados nas campanhas de combate, indicando que os métodos tradicionais podem estar perdendo eficácia justamente às vésperas do período de maior circulação da doença.
A descoberta foi possível após a análise de ovos coletados em regiões como Salta, Formosa e Misiones, que foram criados em laboratório e expostos a diferentes concentrações de piretroides. Os testes mostraram que, mesmo diante de doses muito superiores às recomendadas, muitos mosquitos sobreviveram.
Esse resultado acendeu um alerta entre especialistas, que já vinham observando a queda do desempenho das fumigações nos últimos anos. A resistência crescente sugere que o vetor está se adaptando às substâncias químicas mais usadas, o que dificulta o controle em áreas urbanas e pode favorecer novas ondas de transmissão.

Mutação e desafios para o controle
A análise genética das populações resistentes revelou uma mutação chamada V410L, registrada pela primeira vez na Argentina. Essa alteração, associada a outras duas mutações já conhecidas, modifica a sensibilidade do sistema nervoso do mosquito aos inseticidas, reduzindo o impacto das substâncias aplicadas durante as ações de bloqueio.
A combinação dessas mutações fortalece o vetor e compromete a eficiência das campanhas públicas em períodos críticos do ano. Os pesquisadores destacam que essa evolução decorre, em parte, do uso prolongado e repetido de um mesmo grupo químico.
Com os piretroides em queda de eficácia, cresce a necessidade de alternativas que restabeleçam o controle do mosquito. Testes adicionais mostraram que o composto pirimifosmetil ainda apresenta bons resultados, com alta mortalidade entre os insetos analisados.





