Nos últimos anos, o bacalhau do Mar Báltico, que antes era símbolo de abundância, enfrenta uma grave crise. Espécies que antes eram comuns, com tamanhos impressionantes de até um metro e peso de 40 quilos, agora estão se tornando raras.
O colapso populacional da espécie tem preocupado cientistas e ambientalistas, que observam a diminuição contínua dos estoques. Desde 2019, a pesca seletiva do bacalhau foi proibida, mas os sinais de recuperação são praticamente inexistentes, levantando questões sérias sobre a sustentabilidade da pesca.
Alterações genéticas nos bacalhaus
Um estudo recente realizado pelo Centro GEOMAR Helmholtz para Pesquisa Oceânica, na Alemanha, revelou que o problema vai além da escassez. Os pesquisadores descobriram alterações genéticas significativas na população de bacalhaus.
A análise de otólitos, estruturas calcificadas que registram o crescimento dos peixes, mostrou que, ao longo de mais de duas décadas, as características físicas dos bacalhaus mudaram drasticamente.
Os resultados indicam que, devido à pesca intensiva, os bacalhaus maiores foram sistematicamente removidos, favorecendo a sobrevivência de indivíduos menores que amadurecem mais rapidamente.
Essa mudança evolutiva altera o equilíbrio genético da espécie, resultando em peixes que, em vez de crescerem em tamanho, estão se adaptando a um ambiente em que a sobrevivência dos maiores é cada vez mais difícil.
As consequências dessas alterações genéticas são preocupantes. A redução da diversidade genética enfraquece a resiliência da população de bacalhaus, dificultando sua adaptação a mudanças ambientais futuras.
Mesmo com a proibição da pesca seletiva, não há sinais de recuperação significativa nos estoques ou no tamanho médio dos peixes. Os cientistas alertam que essa situação não é apenas uma questão econômica, mas um problema de conservação da biodiversidade marinha.

