Considerada uma das doenças que mais matam no mundo, o câncer pode não ser mais um problema na realidade de milhares de pessoas. Isso porque, recentemente, profissionais da saúde selecionaram um grupo de pacientes que receberão a vacina contra o crescimento desordenado e anormal de células. A ação ocorrerá na Rússia, abrangendo indivíduos também dos Estados Unidos, Holanda, Israel e outras nações.
De acordo com a chefe da Agência Federal Médico-Biológica, Veronika Skvortsova, os primeiros pacientes escolhidos para receber a vacina contra o câncer foram selecionados por meio de consultas. Nesse processo, avaliaram-se amostras de tumor coletadas, tendo em vista a necessidade de projetar os índices de resolução contra a doença.

Como a vacina contra o câncer funcionará?
Embora os questionamentos existam, ao final do ano passado, o Ministério da Saúde aprovou o uso clínico da vacina terapêutica personalizada contra o câncer, Oncopept, da Agência Federal de Medicina e Biologia (FMBA) da Rússia, para o tratamento do câncer colorretal. Na prática, a tecnologia baseia-se em uma análise minuciosa do material genético do tumor.
Conforme os pesquisadores por detrás da dose, é utilizado um algoritmo bioinformático exclusivo, em que são identificadas mutações específicas, que são usadas para sintetizar um conjunto personalizado de peptídeos (fragmentos proteicos muito curtos). Quando administrados ao paciente, esses peptídeos treinam o sistema imunológico para reconhecer e destruir as células tumorais com precisão.
De acordo com Veronika Skvortsova, nos testes pré-clínicos, a vacina foi enquadrada como segura, levando a uma redução no tamanho dos tumores e uma desaceleração na sua progressão, que teria variado de 60% a 80%, dependendo das características da doença. No mais, a pesquisa teria indicado um aumento nas taxas de sobrevivência.
Críticas à vacina
Apesar de a informação empolgar a população mundial, a dose é vista com certo ceticismo na comunidade científica pela ausência da publicação de dados em revistas científicas. Por sua vez, a pesquisa em função da vacina foi realizada durante anos por especialistas, sendo os últimos três dedicados aos estudos pré-clínicos obrigatórios.
“Todos os dados deveriam ser compartilhados em revistas científicas, que são revisados por pares. É o que atesta a qualidade dos estudos e embasa as análises das agências. Não sabemos como foram os estudos pré-clínicos, que moléculas são essas, como vão ser os testes clínicos”, explica o vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Renato Kfouri.
No caso da aposta russa, além de não haver dados publicados em revistas de prestígio, as autoridades do país europeu não especificaram se o aval aguardado seria para o início dos testes clínicos em humanos, seguindo o protocolo necessário para uso na população, ou se seria diretamente para a aplicação em pacientes fora de estudos.





