Na região da floresta Amazônia brasileira, quando uma gigante árvore caiu nas várzeas de Fonte Boa, os pescadores nortistas perceberam algo estranho: as raízes acabaram erguendo dois vasos de cerâmica enormes acima do solo. Não havia informações sobre o que era ou quem havia colocados lá.
No mês passado, o governo brasileiro divulgou que os arqueólogos conseguiram identificar os vasos como urnas funerárias, milenares, pertencentes há grupos indígenas que viviam no local antes da invasão dos portugueses no Brasil, há em torno de 500 anos.
As escavações mostraram sete urnas, algumas em fragmentos, presas dentro das raízes da grande árvore, com ossos humanos. A maior das urnas possui quase 1 metro de diâmetro, pesando 350 Kg, de acordo com o arqueólogo do Instituto Mamirauá em Tefé, Márcio Amaral, no Amazonas, que liderou as escavações.
“Precisamos de um dia inteiro para soltar essa urna grande das raízes e de seis homens para retirá-la de lá”, afirma.
Como foi as escavações que revelou objetos da antiga civilização
Conseguir retirar as urnas do solo e levá-las para o laboratório de pesquisa do Mamirauá em Tefé para ser estuda foi um processo complexo. O líder comunitário, Walfredo Cerqueira, chamou seus colegas pescadores para auxiliar nas escavações, conta como foi essa experiência inusitada:
“Achávamos que chegaríamos lá com enxadas e moveríamos as coisas com facilidade, mas pelo que eu tinha visto na TV sobre o trabalho dos arqueólogos, sabia que seria um trabalho lento.”
A árvore tombou em uma região chamada de Lago da Cochila, um sítio arqueológico situado na área do Médio Solimões, na Amazônia. Se tornando uma das 70 planícies artificiais da região, construídas há aproximadamente 2 mil anos por grupos indígenas para evitar enchentes ao longo da estação de águas altas do rio.
“Considerando o pouco que sabemos sobre [o passado] dessa região e a dificuldade de chegar lá, essa é realmente uma descoberta sem precedentes”, afirma a arqueóloga da Universidade Federal do Oeste do Pará que não fez parte das escavações, Karen Marinho.




