A tradicional Livraria Cultura chega ao fim após decisão judicial. O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) confirmou a falência da rede, encerrando uma crise financeira que se arrastava há anos. A empresa foi oficialmente notificada neste mês, enquanto suas últimas lojas na cidade de São Paulo já estavam fechadas desde outubro do ano passado.
Nos últimos anos, a rede operava com apenas três unidades, todas na capital paulista. O site oficial foi desativado e os telefones passaram a direcionar para caixa postal. Em seu auge, a livraria chegou a manter 17 lojas em oito estados e empregou mais de mil funcionários. A dívida declarada da empresa supera R$ 285 milhões. O diretor-presidente da rede, Sérgio Herz, da família fundadora, não comentou a decisão judicial.
Os sinais de deterioração financeira começaram ainda em 2016, quando a empresa adiou pagamentos a editoras e fornecedores referentes às vendas do segundo semestre daquele ano. A situação se agravou em 2018, quando a rede entrou em recuperação judicial. O processo buscava reorganizar as dívidas e preservar as operações, mas enfrentou resistência de credores e dificuldades para manter o fluxo financeiro.
Famosa rede de livrarias fecha as portas no Brasil
A crise se intensificou durante a pandemia em 2020. Naquele período, credores rejeitaram mudanças no plano de recuperação judicial e avançou uma ação de despejo contra a loja histórica da rede no Conjunto Nacional, na Avenida Paulista. A unidade havia sido inaugurada em 1969. Com uma dívida de cerca de R$ 15 milhões relacionada ao aluguel, o despejo foi determinado pela Justiça em 2023 e efetivado em abril de 2024.
O fechamento da Cultura ocorre em meio a transformações profundas no varejo de livros no país. Dados da Associação Nacional de Livrarias indicam que o Brasil possui menos de 3 mil livrarias físicas. Redes tradicionais, como a Saraiva, também encerraram atividades recentemente. O mercado busca agora formas de se reinventar.





