O refrigerante zero ganhou fama de alternativa menos prejudicial para quem tenta reduzir o consumo de açúcar e passou a ser muito consumido no Brasil, mas um novo estudo mostra os possíveis impactos dessas bebidas na saúde. Pesquisadores identificaram uma associação entre o consumo frequente de adoçantes artificiais e um envelhecimento mais acelerado do cérebro, além de piora em funções ligadas à memória e ao raciocínio.
A pesquisa foi liderada por cientistas da Universidade de São Paulo (USP) e publicada na Neurology. O estudo acompanhou 12.772 adultos durante aproximadamente oito anos e analisou o consumo de adoçantes de baixa caloria, como aspartame, sacarina, xilitol e sorbitol, substâncias comuns em refrigerantes zero, bebidas diet e outros produtos ultraprocessados.
Os resultados chamaram a atenção dos pesquisadores. Participantes que consumiam maiores quantidades desses adoçantes apresentaram uma perda mais rápida de habilidades cognitivas, com desempenho inferior em memória, fluência verbal e capacidade de raciocínio. Segundo os cientistas, o impacto foi equivalente a cerca de 1,6 ano adicional de envelhecimento cerebral em comparação às pessoas que ingeriam menores quantidades.
Estudo indica malefícios do refrigerante zero à saúde
Apesar dos dados, os próprios pesquisadores destacam que ainda não é possível afirmar que os adoçantes artificiais sejam diretamente responsáveis pelo envelhecimento do cérebro. O estudo aponta uma associação, mas outros fatores ligados ao estilo de vida também podem influenciar os resultados, como alimentação inadequada, sedentarismo, estresse e doenças metabólicas.
Especialistas reforçam que o refrigerante zero pode funcionar como alternativa temporária ao açúcar, mas não deve ser encarado automaticamente como opção saudável. Após a repercussão da pesquisa, médicos e nutricionistas voltaram a defender hábitos simples para proteção da saúde cerebral. Entre as recomendações estão reduzir o consumo de ultraprocessados, priorizar água, chás e bebidas naturais, além de manter atividade física regular e controle do estresse.
Posicionamento ABIAD – Adoçantes e saúde cognitiva
São Paulo, junho de 2026 – Em relação à matéria publicada pelo Correio do Estado sobre o estudo da Universidade de São Paulo (USP) “Not so sweet: Some sugar substitutes linked to faster cognitive decline” (“Nem tão doce: alguns substitutos do açúcar associados a um declínio cognitivo mais rápido”), divulgado na revista Neurology em setembro de 2025, a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos para Fins Especiais e Congêneres (ABIAD) considera importante contextualizar os resultados apresentados à luz do conjunto das evidências científicas disponíveis sobre adoçantes e saúde cognitiva.
Em consonância com a International Sweetners Association, a ABIAD considera necessário que seus resultados sejam interpretados com cautela e situados no contexto do consenso científico consolidado sobre a segurança dos adoçantes. Trata-se de um estudo observacional, que aponta apenas uma associação estatística, e não uma relação de causa e efeito. Os próprios autores reconhecem as limitações da pesquisa e alertam contra a formulação de conclusões causais.
É igualmente relevante destacar aspectos metodológicos que reduzem a confiabilidade das averiguações. Os resultados mostraram-se inconsistentes entre diferentes faixas etárias e variaram de acordo com a presença de diabetes, levantando dúvidas sobre sua plausibilidade biológica. Além disso, o estudo baseia-se em um método de autorrelato de dados alimentares coletados apenas uma vez, há 8 anos, o que costuma ser impreciso, podendo introduzir vieses significativos, além de não considerar mudanças nos hábitos alimentares e nas formulações de produtos ao longo do tempo. Outro ponto que requer atenção é que todos os adoçantes foram agrupados em um único valor, embora se saiba que possuem propriedades e níveis de uso aprovados distintos.
Todos os adoçantes autorizados para consumo no Brasil pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), são profundamente estudados por organismos internacionais como o Comitê de Especialistas em Aditivos Alimentares da FAO/OMS (JECFA), a Food and Drug Administration (FDA, EUA) e a Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA). Essas autoridades atestam a segurança de seu consumo dentro dos limites estabelecidos.
Além disso, revisões sistemáticas e meta-análises apontam que os adoçantes sem ou com baixo teor calórico podem contribuir para a redução da ingestão calórica e de açúcares, sendo aliados importantes no manejo de dietas para diabetes tipo 2 e obesidade. Tais benefícios são especialmente relevantes em contextos de saúde pública que recomendam o controle do consumo de açúcares adicionados.
A ABIAD permanece à disposição para contribuir com o debate público sobre o tema, com base em evidências científicas atualizadas e compromisso com a informação responsável e transparente à sociedade.
Sobre a ABIAD
A Associação Brasileira da Indústria de Alimentos para Fins Especiais e Congêneres (ABIAD) foi fundada em 1986 com a missão de reunir empresas que atuam na produção, industrialização, comercialização e distribuição de alimentos para fins especiais, incluindo nutrição infantil, nutrição enteral, suplementos alimentares, edulcorantes, dentre outras categorias. A ABIAD desempenha um papel fundamental no diálogo com o Poder Público e órgãos internacionais, defendendo políticas baseadas em ciência para garantir o acesso da população a produtos seguros e de alta qualidade. Para mais informações, acesse https://abiad.org.br/.


