Uma proposta em discussão no México pode mudar a forma como as pessoas frequentam os shoppings centers do país. Autoridades do município de San Pedro Garza García estudam a implantação de um programa que permitiria aos estabelecimentos solicitar a retirada de pessoas que permaneçam por longos períodos sem consumir ou sem apresentar um motivo considerado adequado para estar no local.
A iniciativa, batizada de “Cascoff”, já provoca debates sobre segurança, direitos individuais e possíveis práticas discriminatórias. A ideia surgiu como resposta às preocupações relacionadas à segurança e à administração dos espaços privados com acesso ao público. Pela proposta, os centros comerciais poderiam acionar equipes de segurança para abordar pessoas que não estejam realizando compras ou que apresentem comportamentos considerados inadequados.

Entre as situações citadas pelas autoridades estão atitudes agressivas, perturbação da ordem e permanência prolongada em áreas comuns sem qualquer atividade comercial. Os defensores do projeto afirmam que o objetivo não é impedir a circulação de pessoas nem criminalizar quem frequenta os shoppings sem comprar. Segundo eles, a medida pretende criar mecanismos para prevenir conflitos, reforçar a segurança e melhorar a experiência dos consumidores.
Proposta no México promete alterar regras em shoppings
No entanto, o ponto mais delicado da proposta está justamente na definição do que seria um comportamento inadequado, já que essa interpretação pode variar de acordo com o estabelecimento. A possibilidade de remoção de pessoas que não estejam consumindo gerou preocupação entre especialistas em direitos humanos e usuários das redes sociais. Críticos alertam que a regra pode abrir espaço para decisões subjetivas e afetar principalmente estudantes, idosos, trabalhadores informais, entre outros.
Outro tema que ganhou destaque é a atuação da segurança privada. Especialistas defendem que, caso a proposta avance, será necessário criar protocolos rigorosos, investir em treinamento e estabelecer mecanismos de supervisão para evitar abusos. O debate ainda está em andamento, mas já evidencia o desafio de equilibrar segurança, liberdade de circulação e respeito aos direitos dos cidadãos em espaços frequentados pela população.


