Pesquisadores identificaram um novo subgênero do coronavírus em morcegos do Nordeste brasileiro, descoberta que reacendeu debates sobre vigilância sanitária e riscos de novas doenças. O grupo foi classificado como ambecovírus, sigla para American betacoronavirus, e pertence ao mesmo gênero que inclui o Sars-CoV-2 e o Mers.
O estudo analisou amostras de morcegos capturados na região Nordeste e identificou 19 animais positivos para o novo subgênero. Pela primeira vez, os cientistas conseguiram obter dois genomas completos e outros parciais desse grupo viral.
A pesquisa foi conduzida por equipes da Fiocruz Pernambuco e da Universidade Federal de Pernambuco, em colaboração com o Instituto Bernhard Nocht de Medicina Tropical, da Alemanha, reforçando a cooperação internacional na área de vigilância virológica.

O que é o ambecovírus e por que ele chama atenção
O ambecovírus amplia o conhecimento sobre a diversidade de betacoronavírus existentes nas Américas, especialmente em regiões tropicais. Segundo os pesquisadores, a descoberta não indica, por si só, risco imediato à saúde humana.
As análises utilizaram técnicas de metatranscriptômica, um método que permite identificar todos os vírus presentes em uma amostra, inclusive aqueles ainda desconhecidos. Associada a ferramentas avançadas de bioinformática, essa abordagem possibilita a caracterização detalhada dos genomas virais e contribui para entender como esses agentes evoluem e se distribuem na natureza.
De acordo com os cientistas envolvidos no estudo, a presença do vírus em morcegos não significa que ele seja capaz de infectar humanos. A maioria dos vírus identificados em animais não tem potencial de transmissão para pessoas.
Para avaliar esse risco, são necessários testes específicos em laboratório, conhecidos como ensaios in vitro, que analisam a capacidade do vírus de interagir com células humanas.





