Embora o Brasil conte com cerca de 350 mil postos de supermercados disponíveis, o país enfrenta obstáculos na hora de conseguir sanar a vaga disponibilizada. Considerada uma das primeiras oportunidades de emprego da garotada, as redes alimentícias estão adquirindo antipatia dos trabalhadores, tendo em vista a forma como conduzem as condições de trabalho.
Por não serem flexíveis com horários e folgas, as vagas disponibilizadas permanecem vazias por longo período. A fim de contornar o percurso e atrair interessados, os supermercados estão estudando formas de reverter o cenário e afastar o fantasma da falta de mão de obra.
De acordo com o vice-presidente da Associação Brasileira de Supermercados (Abras), Márcio Milan, uma cooperação com o Exército Brasileiro irá atrair jovens recém-egressos do serviço militar obrigatório, oferecendo oportunidades de emprego alinhadas com seus perfis e com perspectivas de crescimento na carreira.
“Verificamos que os reservistas que fazem o curso e depois se aproximam do comércio como um todo conseguem emprego. Cerca de 80% dos concluintes do serviço militar encontram trabalho. Estamos utilizando outras ferramentas de comunicação. Hoje, a empresa precisa ir atrás do trabalhador. À medida que o perfil do trabalhador vem mudando, muitos procurando flexibilidade, isso vem se acentuando. Sofremos também com a falta de especialização”, disse.
Supermercados analisam novas ideais
A cobrança por especialidades que não correspondem ao salário oferecido afasta ainda mais o interesse das pessoas em trabalhar nos supermercados. Para isso, os empresários avaliam a possibilidade de entregar benefícios como alimentação no local, assistência odontológica, kit maternidade, seguro de vida, suporte jurídico e psicológico, além do dia de folga no aniversário.
“A nova geração de profissionais busca não apenas remuneração, mas também um ambiente saudável, perspectiva de crescimento, flexibilidade e propósito. Por outro lado, ainda enfrentamos importantes lacunas de qualificação técnica e comportamental em parte significativa da população economicamente ativa. Sem uma preparação adequada, pode haver choques de expectativa, dificuldades de adaptação e até aumento da rotatividade”, avalia Evelyn Rodrigues, head de Gente e Gestão do escritório Paschoini Advogados.




