O Sistema Único de Saúde passará a oferecer uma das terapias contra câncer mais modernas do mundo de forma gratuita. O tratamento CAR-T, que pode custar cerca de R$ 2 milhões por paciente no exterior, será produzido nacionalmente. O projeto recebeu investimento federal de R$ 330 milhões.
A iniciativa foi lançada no Fundação Oswaldo Cruz, no Rio de Janeiro, com participação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do ministro Alexandre Padilha. O governo pretende ampliar o acesso à tecnologia para pacientes atendidos pela rede pública.
Terapia utiliza células do próprio paciente
O tratamento CAR-T funciona a partir da modificação genética das células de defesa do paciente. Elas são coletadas, reprogramadas em laboratório e devolvidas ao organismo para combater o câncer. A tecnologia é usada principalmente em casos de leucemia, linfoma e mieloma.
O modelo adotado pela Fiocruz utiliza a técnica duoCAR-T triespecífico. Segundo pesquisadores, o sistema consegue identificar três alvos diferentes nas células cancerígenas. Isso aumenta a eficácia do tratamento e reduz as chances de retorno da doença.
Durante o lançamento, o presidente da Fiocruz, Mário Moreira, revelou que um paciente já apresentou cura em estudos iniciais realizados no centro. O caso ocorreu antes mesmo da inauguração oficial da unidade. A informação foi destacada como exemplo do potencial da tecnologia nacional.
Produção nacional reduz dependência externa
Outro diferencial do projeto envolve a fabricação dos vetores lentivirais utilizados na terapia. Esses componentes eram importados e representavam um dos principais custos do tratamento. Agora, o instituto Bio-Manguinhos assumirá essa produção no Brasil.
Os laboratórios também serão montados em estruturas modulares instaladas em contêineres. A proposta permite aproximar a produção dos centros de atendimento em diferentes regiões. O modelo deve reduzir custos logísticos e acelerar o acesso dos pacientes.

