O avanço da erosão costeira se tornou uma ameaça generalizada nas praias da América Latina, levando pesquisadores e autoridades a emitir alertas sobre o risco de desaparecimento de diversas áreas litorâneas.
O fenômeno, intensificado pelas mudanças climáticas e pela ocupação desordenada, já apresenta consequências graves em países como Colômbia, Chile, Peru e Brasil. Em alguns locais, o processo é tão acelerado que trechos inteiros de praia podem desaparecer nas próximas décadas.
Áreas mais afetadas e causas do avanço
Na Colômbia, cerca de metade das praias sofre com erosão, e em La Guajira as perdas chegam a quatro metros por ano, exigindo obras emergenciais. No Chile, quinze das cem praias monitoradas estão em situação crítica, como Algarrobo, onde as ondas ameaçam construções próximas ao mar.
A principal causa do problema é a ocupação desordenada das zonas costeiras. Manguezais e dunas foram substituídos por hotéis e condomínios, comprometendo o equilíbrio natural entre o mar e a terra. A impermeabilização do solo e a canalização de rios reduziram o aporte de sedimentos que regeneram as praias, tornando-as vulneráveis a tempestades mais frequentes e intensas.
A erosão costeira já provoca prejuízos significativos. O avanço do mar coloca em risco moradias, estradas e empreendimentos turísticos, além de elevar a salinidade de aquíferos e comprometer ecossistemas locais. Estima-se que milhões de dólares em infraestrutura estejam ameaçados em diversos países latino-americanos.
Especialistas como Carolina Martínez e Federico Isla alertam que a ausência de políticas públicas eficazes e o planejamento urbano inadequado agravam o cenário. Para conter o avanço do mar, são necessárias ações conjuntas que priorizem obras de contenção, restauração de ecossistemas e controle rigoroso sobre novas construções nas faixas costeiras.

