Enquanto o Brasil segue discutindo a possibilidade de modificar a jornada de trabalho daqueles em conformidade com a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), a Alemanha caminha ao lado da população. A fim de entender o cenário econômico de um outro prisma, um experimento governamental colocou a jornada de operação em apenas quatro dias na semana.
Na análise dos órgãos competentes, o objetivo da medida adotada está diretamente ligado ao desejo de aumentar a produtividade das empresas, mas sem sobrecarregar os colaboradores. Como resultado da mudança de curso, é esperado que os trabalhadores consigam exercer suas funções com maestria, sobrando mais tempo para dedicar à família.
Após dois anos do início do projeto-piloto, a Alemanha verificou que as companhias participantes não sofreram prejuízos, tornando o protocolo uma obrigatoriedade. Conforme pesquisa encabeçada pela Universidade de Münster em conjunto com a consultoria 4 Day Week Global, foi mostrado que 70% das empresas que participaram da medida continuam implementando alguma forma de redução da jornada.
Para uma melhor compreensão, o país europeu levou em consideração o modelo 100-80-100, que consiste em 100% do salário, 80% da jornada de trabalho e 100% de produtividade. Como resultado do sucesso da empreitada, o mesmo mecanismo passou a vigorar em Valência (ESP), Portugal e no Reino Unido. Nesse ínterim, participaram do projeto-piloto 45 empresas de diversos segmentos.
Resultado da nova imposição na Alemanha
Embora a movimentação tenha ligado o sinal de alerta dos empresários em um primeiro momento, a prática mostrou não haver arestas para preocupações. Isso porque, ao longo dos anos, cada companhia passou a organizar os setores conforme as suas necessidades. Como consequência da liberdade de escolha, nem todas as empresas adotaram a jornada de trabalho de segunda a quinta-feira.
Segundo os levantamentos recentes, aproximadamente 22% das companhias participantes adaptaram o esquema inicial para abordagens mais flexíveis. Assim, foram redesenhadas a redução da jornada anual, semanas alternadas ou ajustes internos com base na carga de trabalho. Portanto, tem sido comum um quadro montado com a eliminação de tarefas supérfluas, menos reuniões desnecessárias e maior autonomia para as equipes.
Para coroar de vez o protocolo na realidade social, o programa piloto mostrou que, apesar de manter 80% da jornada de trabalho inicial, não houve quedas nos níveis de lucro ou produtividade. Por outro lado, foram relatadas pequenas melhorias em comparação com o ponto de partida. Em outras palavras, conseguiram alcançar os mesmos resultados em menos tempo.





