O Túnel Subfluvial Raúl Uranga-Carlos Sylvestre Begnis, inaugurado em 1969, é considerado uma das obras de engenharia mais relevantes da América do Sul. Localizado sob o Rio Paraná, ele conecta as cidades argentinas de Santa Fé e Paraná, antes separadas por um dos rios mais extensos do continente. Antes da sua construção, a travessia era feita por balsas e enfrentava dificuldades operacionais, especialmente durante as cheias.
O projeto foi resultado de um acordo firmado em 1962 entre os governadores Raúl Uranga, da província de Entre Ríos, e Carlos Sylvestre Begnis, de Santa Fé. Inspirado em modelos internacionais, como o Eurotúnel que liga o Reino Unido à França, o Governo Argentino escolheu uma solução subaquática inédita para a região.
Estrutura rodoviária e funcionamento diário
Com 2.937 metros de extensão, o túnel foi projetado exclusivamente para o transporte rodoviário, possuindo uma pista simples com uma faixa em cada sentido. A opção por um túnel, e não uma ponte, preservou o fluxo de navegação do Rio Paraná e reduziu custos de manutenção.
O trajeto leva cerca de três minutos, com limite de velocidade entre 40 km/h e 60 km/h. Atualmente, mais de 12 mil veículos passam diariamente pelo local, mediante pagamento de pedágio de aproximadamente ARS$ 600, valor ajustado conforme o tipo de veículo.

Impacto urbano e desenvolvimento regional
A inauguração do túnel permitiu a primeira ligação rodoviária entre a Mesopotâmia Argentina e o restante do país. Essa conexão impulsionou o crescimento da região metropolitana Santa Fé–Paraná, que hoje apresenta densidade populacional superior a um milhão de habitantes a cada 25 km².
Operado conjuntamente pelos governos de Santa Fé e Entre Ríos, o túnel possui monitoramento 24 horas, com câmeras, sensores de gases e sistema elétrico reserva. O Rio Paraná é analisado mensalmente com equipamentos GPS e sondas batimétricas para garantir a integridade estrutural e a segurança da travessia.



