A Passagem de Drake, localizada entre o extremo sul do Chile e a Península Antártica, é considerada a rota marítima mais perigosa do mundo. No final de agosto, a região foi atingida por um terremoto de magnitude 7,1, a 10 quilômetros de profundidade, segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS).
O episódio não gerou risco de tsunami, mas reforçou a fama do local. Navegar por essa passagem exige preparo extremo devido a ventos fortes, tempestades frequentes e ondas que podem atingir 20 metros, conforme registros da National Geographic.
Navios que atravessam a passagem precisam tomar medidas especiais de segurança. A oceanógrafa Karen Heywood explica que cada objeto a bordo deve ser fixado com mantas adesivas para evitar acidentes causados pelos movimentos do mar.
A combinação de clima extremo e correntes poderosas faz da travessia um verdadeiro teste para navegadores. Desde sua primeira travessia documentada em 1616 pelo navegador holandês Willem Schouten, a passagem permanece como um desafio reconhecido por marinheiros e cientistas.
Importância ambiental e biológica
Apesar da periculosidade, a Passagem de Drake tem papel crucial no clima global. Sob suas águas circula a corrente circumpolar antártica, a maior do planeta, que conecta os oceanos Atlântico, Pacífico e Austral.
Essa corrente transporta calor, nutrientes e remove cerca de 600 milhões de toneladas de carbono da atmosfera anualmente, o equivalente a um sexto das emissões humanas. O isolamento térmico da Antártica, causado pela abertura geológica do estreito há milhões de anos, contribuiu para a formação do continente gelado.
Além do clima, a região sustenta uma rica cadeia alimentar marinha. Plâncton, peixes, aves polares, focas e baleias dependem da passagem para sobreviver. Exploradores relatam que o contato com golfinhos e aves na chegada à Antártica compensa, em parte, os riscos enfrentados durante dias de mar revolto.




