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Greve dos ônibus chega ao 4º dia mesmo com intervenção da justiça

Possivelmente está já é a maior greve da história, superando a greve de 1994, quando o transporte coletivo paralisou por dois dias e meio

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Campo Grande amanheceu sem ônibus pelo quarto dia consecutivo nesta quinta-feira (18).

Mais uma vez, os terminais Morenão, Julio de Castilho, Bandeirantes, Nova Bahia, Moreninhas, Aero Rancho, Guaicurus, General Osório e Hércules Maymone amanheceram fechados sem nenhuma "alma viva".

Os pontos estão vazios. Em contrapartida, as garagens estão lotadas de ônibus estacionados.

A greve afeta 100 mil usuários, que usam o transporte coletivo diariamente para ir e voltar do trabalho.

Com isso, os usuários precisam recorrer a outras alternativas para chegar ao trabalho: bicicleta, a pé, carona, transporte por aplicativo, táxi ou mototáxi. A greve foi alertada antecipadamente, estava prevista e não pegou passageiros de surpresa.

Possivelmente está já é a maior greve da história, superando a greve de 1994, quando o transporte coletivo paralisou por dois dias e meio. Os ônibus tomaram as ruas do centro e interditaram o trânsito há 31 anos, na gestão do ex-prefeito Juvêncio César. Na ocasião, motoristas murcharam os pneus dos ônibus em forma de protesto.

Além diso, esta é a segunda vez no ano em que a Capital fica sem transporte. Em 22 de outubro de 2025, Campo Grande amanheceu sem ônibus, com terminais fechados e pontos vazios. Os motoristas do transporte coletivo paralisaram atividades por duas horas, das 4h30min às 6h30min, o que refletiu em atrasos o dia todo. O fato pegou usuários de surpresa, que acordaram para ir trabalhar e não tinham meio de locomoção.

Os motoristas reivindicam pelo pagamento do mês, que foi pago 50%:

  • Pagamento do 5º dia útil – venceu em 5 de dezembro
  • Pagamento da segunda parcela do 13º salário – vai vencer em 20 de dezembro
  • Pagamento do vale (adiantamento) – vai vencer em 20 de dezembro

O Consórcio Guaicurus alega que está em crise financeira e que não tem dinheiro para pagar a folha salarial, 13º salário e custos operacionais básicos (combustível, manutenção da frota e encargos). 

De acordo com o Consórcio, a Prefeitura Municipal de Campo Grande (PMCG) deve R$ 39 milhões à empresa desde 2022 e que os salários dos motoristas só serão pagos caso o poder público repasse o valor.

“O atraso e o pagamento parcial não decorrem de má gestão, mas sim da inadimplência reiterada do Município de Campo Grande/MS no repasse do subsídio financeiro contratualmente instituído no quarto termo aditivo previsto. O valor devido pelo Poder Concedente, apenas no período compreendido desde 2022, quando foi designada a tarifa técnica no quarto termo aditivo do contrato de concessão, já soma um subsídio superior a R$ 39 milhões ainda não repassados ao Consórcio. A dificuldade financeira é uma consequência direta da quebra do equilíbrio econômico-financeiro do contrato de concessão pelo Poder Concedente. O pagamento da complementação do salário de novembro, do adiantamento de dezembro de 2025 (vencível em 20/12/2025) e da segunda parcela do 13º salário está condicionado à regularização desses repasses públicos”, explicou o Consórcio Guaicurus por meio de nota enviada à imprensa.

Mas, a Prefeitura Municipal de Campo Grande (PMCG) rebateu o Consórcio e disse que os pagamentos estão em dia. A prefeita, Adriane Lopes (PP), afirmou que a greve é "abusiva" e "ilegal", pois todos os repasses financeiros foram feitos.

"Além das gratuidades, o Município aporta também o vale-transporte dos nossos servidores, que são adquiridos e utilizados pelos servidores do município e, rigorosamente está em dia esse repasse. As questões judiciais serão discutidas na justiça, dentro da legalidade e da realidade, tanto do Consórcio como do Município. O dinheiro que é a responsabilidade do Município foi pago e, se o Município está rigorosamente em dia, a empresa também teria que estar rigorosamente em dia com os pagamentos dos seus funcionários", disse a prefeita, em coletiva de imprensa realizada na tarde desta terça-feira (16).

"Todas as verbas que são contratuais, que tem relação do Município com o Consórcio Guaicurus foram feitos os repasses, ou seja, a subvenção de R$ 19 milhões, pagamento de vale-transporte de R$ 16 milhões, o Governo do Estado transferiu R$ 7 milhões, ele fez um acordo de R$ 13 milhões neste ano e R$ 4 milhões ficou para o ano que vem, acordado com o consórcio, então todas as verbas que implicam o Poder Público foram transferidas", disse o secretário municipal de Governo, Ulisses Rocha.

INTERVENÇÃO JUDICIAL

O Poder Judiciário de Mato Grosso do Sul reconheceu a existência dos indícios de má gestão e execução do transporte coletivo de Campo Grande e decidiu dar andamento à Ação Popular que pede a intervenção da Prefeitura Municipal no serviço operado pelo Consórcio Guaicurus. 

A decisão determina que, em até 30 dias, o Município instaure um processo administrativo de intervenção no contrato com o Consórcio, além de nomear um interventor e apresentar um plano de ação com cronograma para a regularização da situação do Transporte Urbano, sob pena de multa diária de R$ 300 mil. 

A Tutela de Urgência foi deferida pelo juíz Eduardo Lacerda Trevisan, na ação ajuizada pelo advogado Lucas Gabriel de Souza Queiroz Batista em desfavor da Agência Municipal de Regulação dos Serviços Públicos (Agereg), Agência Municipal de Transportes e Trânsito (Agetran), Consórcio Guaicurus SA e Município de Campo Grande. 

Para o autor, o Consórcio deve ser penalizado por frota velha e precária, falta de manutenção e inexistência de seguros obrigatórios, além de irregularidades financeiras, como a transferência de R$ 32 milhões para a empresa Viação Cidade dos Ipês sem justificativa e a omissão contábil de receitas e fluxos de caixa desde 2012, como constatado pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Transporte Coletivo. 

Por outro lado, o Município de Campo Grande deve ser responsabilizado por omissão de fiscalização, ausência de auditoria operacional, técnica e financeiras desde 2018, e continuidade de repasse dos subsídios milionários ao Consórcio “sem contrapartida efetiva de melhoria do serviço”. 

“Alego que não obstante as recomendações da CPI, a Prefeitura Municipal nada fez e essa inércia estatal configura verdadeira conduta lesiva passível de controle judicial. Que do ato omissivo lesivo é necessária intervenção corretiva por intermédio da presente ação popular”, escreve a decisão. 

ARSENAL ESCONDIDO

Motorista é preso com armas escondidas atrás de som de carro em MS

Entre os armamentos apreendidos em Iguatemi estão um fuzil norte-americano, oito revólveres, uma pistola e uma espingarda calibre 12

21/10/2026 12h15

Arsenal estava em um carro de passeio e foi apreendido pela PM na região sul do Estado

Arsenal estava em um carro de passeio e foi apreendido pela PM na região sul do Estado

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Um homem foi preso na manhã desta quarta-feira (21) após policiais militares encontrarem 11 armas de fogo escondidas em um compartimento atrás do aparelho de son de um Volkswagen Gol, durante um bloqueio policial no município de Iguatemi, em Mato Grosso do Sul.

De acordo com informações iniciais publicadas pelo portal Folha de Dourados, a apreensão foi realizada por equipes do 2ª Pelotão da 14ª Companhia Independente da Polícia Militar (CIPM). O motorista, natural de Minas Gerais, chamou a atenção dos policiais ao demonstrar nervosismo durante a abordagem. 

Diante da suspeita, os militares realizaram uma vistoria minuciosa no veículo e localizaram um compartimento oculto atrás do aparelho de som, onde estava armazenado o arsenal. 

 

-Vídeo: Reprodução - Folha de Dourados

Entre os armamentos encontrados estavam oito revólveres, uma pistola, um fuzil Colt M4 calibre 5,56 milímetros, de fabricação norte-americana, e uma espingarda calibre 12, de fabricação turca. Também foi apreendido um adaptador tático para pistola.

Após a descoberta, o motorista recebeu voz de prisão e foi encaminhado à delegacia, juntamente com as armas apreendidas.

Até o moment, não foram divulgadas informações sobre a origem e o destino do armamento, nem se o suspeito receberia pagamento pelo transporte das armas.

INFRAESTRUTURA

Governo suspende licitação de R$ 19,7 milhões para levar água a aldeia indígena de MS

Concorrência para implantação do sistema na Aldeia Jaguapiru estava prevista para esta quinta-feira (22), mas foi interrompida para correções no edital e anexos

21/10/2026 11h27

 Licitação para implantação do sistema de abastecimento de água na Aldeia Jaguapiru foi suspensa pela Agesul

Licitação para implantação do sistema de abastecimento de água na Aldeia Jaguapiru foi suspensa pela Agesul Foto: Divulgação/Agesul

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O Governo de Mato Grosso do Sul suspendeu a licitação de R$ 19,7 milhões destinada à implantação de um sistema de abastecimento de água na Aldeia Jaguapiru, localizada no município de Dourados, a 225 quilômetros de Campo Grande. A decisão foi publicada no Diário Oficial do Estado desta quarta-feira (21), um dia antes da abertura das propostas, prevista para quinta-feira (22).

De acordo com a Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos (Agesul), a suspensão ocorreu devido a necessidade de correções no Termo de Referência e nos demais anexos do processo licitatório.

O aviso, assinado pela Diretoria de Licitação, não detalha quais alterações deverão ser realizadas. Também não foi estabelecido um novo cronograma que conste a retomada do certame. Segundo a publicação, o edital poderá ser republicado após os ajustes.

A concorrência havia sido anunciada no início de outubro, com valor estimado de R$ 19.764.583,04. O processo previa a contratação de uma empresa especializada, por meio do critério de menor preço, para executar as obras de implantação do sistema de abastecimento de água da comunidade indígena.

Conforme o orçamento disponibilizado pela Agesul, aproximadamente R$ 18,7 milhões seriam destinados às estruturas de reservação e adução de água, enquanto R$ 998,6 mil estavam previstos para a instalação e manutenção do canteiro de obras.

O prazo estimado para execução dos serviços era de 540 dias, conforme o orçamento oficial.

Projeto prevê ampliação do abastecimento

O projeto elaborado pela Empresa de Saneamento de Mato Grosso do Sul (Sanesul) prevê a implantação de estruturas para melhorar o fornecimento de água à Aldeia Jaguapiru.

Entre as intervenções previstas estão a implantação de redes de distribuição, estruturas de reservação, equipamentos hidráulicos e instalações necessárias ao funcionamento do sistema.

A documentação técnica também contempla a utilização de captação subterrânea, por meio de poço tubular profundo, além de estruturas destinadas ao armazenamento e à distribuição de água. 

De acordo com o  Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), o sistema foi dimencionada para atender uma população de 12.348 habitantes, com capacidade de captação prevista de 150 metros cúbicos de água por hora. 

O estudo técnico que acompanha o processo apresenta as condições do abastecimento existente e as alternativas avaliadas para a implantação de uma nova infraestrutura na comunidade.

Apesar da suspensão da concorrência, o aviso publicado pela Agesul não informa o cancelamento definitivo do empreendimento. A agência prevê a possivilidade de republicação do edital, com uma nova data para abertura das propostas.

 

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