Dados da Associação Brasileira de Epilepsia (ABE) apontam que, até 10% das pessoas tem a chance de ter crise epiléptica no decorrer da vida, mas não necessariamente significa que terá epilepsia, doença que acomete até 2% da população nacional.
Epilepsia trata-se de uma doença neurológica, que gera crises epilépticas, sendo que o diagnóstico vem depois de uma primeira quando há o risco aumentado de novas crises.
"Isso pode ser definido quando elas acontecem com frequência em um claro desencadeante, ou por exames de ressonância, ou eletroencefalograma que apontem esse risco aumentado", expõe o neurologista Dr. Lécio Figueira Pinto, vice-presidente da ABE.
Das causas, a Biblioteca Virtual em Saúde do Ministério da Saúde (BVS/MS) esclarece que na maioria das vezes não é possível conhecer os reais fatores que deram origem à epilepsia, mas entre eles lista:
- lesão no cérebro, por pancada na cabeça
- infecção (meningite)
- neurocisticercose (“ovos de solitária” no cérebro),
- abuso de bebidas alcoólicas, de drogas
Já das crises epilépticas, como expõe a equipe médica da Unimed do Brasil, podem ser classificadas em três tipos:
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Tônico-clônicas (convulsões)
Há perda de consciência com risco de queda, tremores, rigidez, salivação excessiva (baba), a pessoa pode morder a língua, travar a boca, além de urinar e defecar. É o mais forte dos casos.
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Focais
Há casos de alteração visual, como flashes, movimentos involuntários, déjà vu e perda de memória recente. Atinge apenas uma parte do cérebro.
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Generalizadas
Atingindo ambos os lados do cérebro, é caracterizada por um momento em que a pessoa fica "fora do ar" por alguns segundos, comum em crianças e adolescentes.
Mulheres no foco
Atingindo homens e mulheres de forma semelhante, os cuidados que elas requerem são diferentes, principalmente em idade fértil.
Caso a mulher deseje engravidar, e tenha epilepsia, é necessário um planejamento anterior, como alerta o dr. Lécio.
“Os medicamentos deverão ser mantidos, pois, se reduzidos ou interrompidos, as crises podem voltar ou piorarem, com risco inclusive de vida para a mulher”, afirma.
Ainda neste planejamento prévios, os medicamentos indicados deverão ser mais seguros, por preferência aqueles que não levem riscos ao bebê.
"As crises devem estar controladas e a dose deverá ser a menor possível. Além disso, é muito importante o uso de ácido fólico meses antes da gravidez, porque todas essas medidas reduzem o risco de crises e problema para o bebê", expõe.
No período de gestação o neurologista responsável deve ser colocado cada mais próximo, já que medicações podem precisar ser ajustadas conforme o ganho de peso e alteração no metabolismo.
Por fim, Lécio frisa que durante o período menstrual e/ou de ovulação, pode ocorrer de as mulheres terem mais crises por conta das alterações hormonais, o que deve ser anunciado ao médico responsável.
Até mesmo os anticoncepcionais podem ter seus efeitos reduzidos, por conta dos remédios para tratar epilepsia.
"Por outro lado, anticoncepcionais podem reduzir o efeito de alguns medicamentos para epilepsia. É importante o acompanhamento com neurologista e comunicar o uso de medicamentos, em especial, anticoncepcionais, para ter uma orientação adequada", finaliza o médico.