A inflação é um fenômeno monetário, mais dinheiro no mercado, mais consumo, mais demanda, mais inflação. Estamos acompanhando desde o final do ano passado PECs que aumentam dinheiro circulando acima do teto, aumento de salários para funcionário público, aumento de bolsas de pesquisa, aumento real do salário-mínimo, aumento da faixa de isenção do IR, e outras ações do governo que despejam dinheiro na economia, fazendo os preços aumentarem.
As ações de recomposição do poder de compra por parte do Governo Federal e dos estaduais são bem-vindas, são necessários ajustes para melhorar a qualidade de vida das pessoas, porém, é necessário equilíbrio entre recomposição das perdas e gastos do governo. O Governo deve reduzir seus próprios gastos para garantir sustentabilidade nas contas públicas e um equilíbrio monetário no mercado.
O remédio amargo para segurar os preços é o aumento da taxa de juros Selic, e isso provoca um desiquilíbrio no crescimento. A cada 15 dias, as empresas de pesquisa fazem análise dos preços de produtos e serviços mais consumidos pela população brasileira. Em cada estado e em cada município a dinâmica de consumo é semelhante, mas, o aumento ou diminuição de preços é diferente, e por isso esses institutos de pesquisa analisam o comportamento do preço em um mês e compara com o mês anterior. Dessa relação, passada com o presente á avaliado o percentual de aumento ou diminuição da média geral dos preços e também por grupos.
Como impacta nosso bolso? Já dei dicas de como analisar o orçamento familiar e dividir o consumo em grupos. Para cada grupo de consumo, pode acontecer uma variação diferente nos preços, e por isso, é fundamental separar grupos de alimentação, transporte, combustível, vestuário, aluguel, luz, água, telefone, internet, educação, entretenimento e outros, para saber em qual grupo os preços estão aumentando mais ou menos.
Atualmente sabemos que há produtos e serviços que são influenciados pelo valor do dólar (como os combustíveis), sabemos que a empresa de água e de energia são monopólios e determinam o preço que pagamos, sabemos que os alimentos são sazonais, tem a época certa de produção, e isso influencia o preço. Essas informações nós todos sabemos, então, devemos usar a nosso favor, para tomar melhores decisões de consumo.
Mas como o aumento dos produtos e serviços impactam no nosso bolso? Hoje está bem simples de explicar, olhem só:
1. A gasolina em abril de 2020 estava em média R$ 3.30 por litro, hoje, em média está R$ 5.40 por litro. Se seu tanque é de 50 litros, você enxia com R$165,00, e agora custa R$270,00.
2. A carne bovina de primeira custava em média no início de 2020, R$40,00 o quilo, e hoje está em média R$70,00, o quilo, numa casa que consome 4 quilos por mês, o orçamento aumento de R$160,00 para R$240,00
3. Calculem o aumento dos combos de internet, da luz e água, etc...
Mas, o que fazemos? Substituímos produtos mais caros por baratos, equilibramos nosso orçamento, educamos para gastar menos luz e água, e no fim perdemos nosso padrão de vida. Esse é o impacto!! O que podemos fazer? Aumentar nossa renda, reeducar nosso consumo e principalmente acompanhar semanalmente nosso orçamento familiar.