Marcelo Cabo, do CSA, não está no primeiro escalão dos técnicos. Mas sua opinião tem valor e foi dele a expressão mais otimista sobre a estreia de Fernando Diniz: "Tenho um pressentimento de que nossa seleção será muito parecida com 1970 e 1982."
É cedo!
Por outro lado, traz à memória a pergunta sobre o Brasil que queremos: ganhar como em 1994 ou perder como em 1982?
Num país pentacampeão, a resposta é fácil: vencer como em 1970 ou como em 2002. Com os maiores craques e o melhor ataque.
A seleção do tri é a melhor de todos os tempos. A da quinta estrela não se compara com a de Pelé. Foi superior às de sua época por ter as cinco estrelas, Ronaldo, Rivaldo, Ronaldinho, Roberto Carlos e Cafu, e o ataque mais positivo de qualquer seleção em Copas depois de Pelé.
O termo dinizismo não é legal. Lembra a letra de Podres Poderes, de Caetano Veloso, não por culpa de Diniz, mas da nossa relação com líderes personalistas e carismáticos: "Será que nunca faremos senão confirmar a incompetência da América católica, que sempre precisará de ridículos tiranos?"
Os argentinos passaram décadas polemizando menottismo x bilardismo, futebol romântico x pragmático, igual ao debate Telê x Parreira. Só que, na Argentina, personificando a argumentação, com o sufixo presente nas palavras peronismo e fascismo.
Embutido o extremismo.
Mais lúcido e saboroso debater as ideias. De Marcelo Bielsa, por exemplo, com a mistura dos três zagueiros de Bilardo com a ofensividade de Menotti.
Diniz não foi extremista em sua estreia.
Lembrou mais os jogos recentes do Fluminense, contra o Olimpia, do que seu estilo de concentração de talentos de um lado do campo, para costurar defesas com passes curtos, até se infiltrar na área e fazer o gol.
Menos diferente do que previram os jogadores.
Exceto em uma ou outra tabela, como aos 24 minutos, ao juntar cinco jogadores pela direita até a finalização de Neymar.
O estilo posicional existiu, por enfrentar uma defesa com cinco zagueiros e quatro meio-campistas. Contra apenas um atacante, Diniz avançou Casemiro depois dos primeiros minutos e chegou a infiltrar seis jogadores na linha defensiva da Bolívia. Agrediu. Não ficou paralisado.
Tite também não ficava. Não é por perceber a novidade de Diniz que se vai dizer agora que Tite trabalhou mal por seis anos. Suas duas classificações finais em Copas do Mundo são abaixo do que o Brasil precisa, mas o treinador campeão mundial pelo Corinthians estudou como se pede a todo profissional deste país.
Diniz tende a ser mais agressivo e isto pode levar a resultados mais ou menos expressivos, o que só se saberá quando, e se chegar, à América do Norte, em 2026.
Porque eliminatórias nunca representaram problemas para Tite e, convenhamos, não é sonho de nenhum brasileiro ser campeão de outra coisa que não seja o Mundial.
É provável que o Peru seja rival mais difícil, fora de casa, e que exija testar as variações táticas que Fernando Diniz prefere.
Mais parecida com a atuação do Fluminense contra o Sporting Cristal, também em Lima, ou com o River Plate, nos 5 x 1 da fase de grupos da Libertadores.
Esta última, a melhor atuação de um time brasileiro em 2023.
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