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Mercado Imobiliário de Campo Grande: Crescimento e Rota Bioceânica

Michel Constantino

23/09/2025 - 00h05

O mercado imobiliário de Campo Grande, capital de Mato Grosso do Sul, atravessa um período de notável dinamismo e valorização. Impulsionado por uma combinação de fatores macroeconômicos, desenvolvimento de infraestrutura e um agronegócio robusto, o setor demonstra um crescimento consistente, superando a média nacional em diversos indicadores. Esta análise aprofunda as principais vertentes que moldam o cenário atual: a evolução de preços e o aquecimento do mercado, o surgimento de empreendimentos de alto padrão, o perfil de renda da população e, crucialmente, os efeitos transformadores da Rota Bioceânica sobre os investimentos locais.

Aquecimento e Valorização do Mercado

A cidade de Campo Grande consolidou-se como um dos mercados imobiliários mais aquecidos do Brasil. Dados do índice FipeZAP e da Associação Brasileira do Mercado Imobiliário (ABMI) indicam uma trajetória de valorização expressiva, tanto para venda quanto para locação. Em janeiro de 2025, o preço médio do metro quadrado na capital atingiu R$ 6.098, registrando uma alta mensal de 1,35%, mais que o dobro da média nacional de 0,59%.

Essa tendência de alta é um reflexo de um movimento de longo prazo: desde janeiro de 2022, o preço de venda dos imóveis na cidade acumula um crescimento de 31%, enquanto a média nacional foi de 19%. O mercado de locação é ainda mais notável, com um disparo de 75% no mesmo período, superando largamente o índice nacional de 52%.

O volume de transações acompanha o ritmo de valorização. Em abril de 2024, as negociações de compra e venda cresceram 45,4% em relação ao ano anterior, e o número de lançamentos imobiliários aumentou 15% ao longo de 2024.

Um Vetor de Investimentos é a expectativa com a Rota Bioceânica, é o principal catalisador de uma nova fase de desenvolvimento para Mato Grosso do Sul. Com investimentos que ultrapassam os R$ 2 bilhões apenas em infraestrutura rodoviária no estado, o projeto posiciona Campo Grande como um hub logístico estratégico na América do Sul.

A expectativa é que a rota reduza em até 17 dias o tempo de transporte de exportações para mercados asiáticos, gerando uma nova dinâmica econômica. Este cenário já reverbera no setor imobiliário. A Acomasul (Associação dos Construtores de Mato Grosso do Sul) prevê um aumento ainda maior no volume de lançamentos em 2025, não apenas em Campo Grande, mas em todas as cidades no raio de influência da rota. A valorização de imóveis já é uma realidade, como no caso do Condomínio Belas Artes, que viu seus apartamentos valorizarem mais de 40% antes mesmo da conclusão das obras da rota.

Campo Grande é uma Capital que oferece muitas oportunidades de negócios e que está em pleno crescimento alavancado pela Rota Bioceânica, principalmente nas faixas de alta renda.

O crescimento econômico e a pujança do agronegócio refletem-se no perfil de renda da população e, consequentemente, na demanda por imóveis de alto padrão. O salário médio mensal dos trabalhadores formais em Campo Grande era de 3,3 salários mínimos em 2022, e o PIB per capita alcançou R$ 37.916,06 em 2021. Em nível estadual, a renda per capita de R$ 2.169 em 2024 coloca Mato Grosso do Sul acima da média nacional.

Essa capacidade de investimento sustenta um mercado de luxo em plena expansão. Bairros como Jardim dos Estados e Santa Fé lideram com o metro quadrado mais caro da cidade, ultrapassando os R$ 10.000/m² [1]. A demanda por exclusividade e sofisticação tem atraído grandes incorporadoras e projetos ambiciosos. Um exemplo emblemático é o TAJ Condomínio Resort, um empreendimento de alto padrão inspirado na arquitetura de Dubai, localizado ao lado do condomínio Damha II. Com uma vasta gama de amenidades, como complexo de piscinas, spa, boliche, cinema e múltiplos espaços gastronômicos, o projeto da Incorpore One visa redefinir o conceito de moradia de luxo na região. A chegada de projetos deste calibre, somada à atuação de outras incorporadoras como Plaenge e HVM, sinaliza a confiança do mercado no potencial de consumo da elite local e de novos investidores atraídos pelo crescimento do estado.

O mercado imobiliário de Campo Grande vive um momento de forte expansão, caracterizado pela alta valorização de preços, um volume crescente de transações e uma notável sofisticação dos novos empreendimentos. A Rota Bioceânica surge como um fator transformador, prometendo adensar ainda mais os investimentos e consolidar a capital sul-mato-grossense como um polo logístico e econômico de relevância continental. A combinação de uma economia local robusta, um perfil de renda em ascensão e a chegada de projetos de infraestrutura de grande porte cria um ambiente fértil para o setor. A tendência é que a valorização imobiliária se mantenha nos próximos anos, especialmente nos segmentos de médio e alto padrão, que se beneficiam diretamente do aumento da riqueza gerada pelo agronegócio e pelas novas oportunidades de negócio abertas pela Rota Bioceânica.

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