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Leandro Provenzano

Golpe do falso advogado: como funciona e como não cair

Leandro Provenzano

18/06/2026 - 00h03

O golpe do falso advogado é uma das fraudes que mais cresce no Brasil. Criminosos se passam por advogados – usando o nome e até número da OAB de um profissional real - para convencer a vítima a transferir dinheiro às pressas. Quem está no meio de um processo, esperando um acordo, uma indenização ou um levantamento de valores, é o alvo preferido. Neste artigo você vai entender exatamente como o golpe acontece e, principalmente, como não cair.

O que é o golpe do falso advogado

É uma fraude na qual o criminoso finge ser o advogado responsável pelo seu caso (ou alguém do escritório dele) e inventa uma "novidade urgente" no processo. Em geral, a história envolve um valor a ser pago de imediato: custas, uma taxa, um depósito judicial ou a liberação de um suposto crédito. No fim, o pedido é sempre o mesmo - um Pix ou transferência rápida, normalmente para a conta de um terceiro não vinculado ao advogado, ao seu escritório, muito menos ao judiciário.

O golpista costuma ter informações reais sobre você: seu nome, o número do processo, o nome do verdadeiro advogado. Esses dados muitas vezes vêm de consulta pública a processos, vazamentos ou redes sociais, e servem justamente para dar credibilidade à conversa. Eles também falsificam documentos com brasões, nomes de juízes e diversas informações inverídicas.

Como o golpe acontece (passo a passo)

A abordagem geralmente segue um roteiro parecido:

  1. Contato inesperado, quase sempre por WhatsApp, com foto e nome do "seu advogado", ou do escritório de advocacia que lhe atende.
  2. Notícia boa ou problema urgente: "saiu seu dinheiro" ou "precisamos resolver algo hoje, senão você perde o prazo".
  3.  Criação de urgência: o criminoso pressiona para que tudo seja feito agora, rápido, sem você pensar direito. Essa pressa é proposital - vítima apressada não desconfia.
  4. Desculpa para não falar ao telefone: é muito comum dizerem que o advogado não pode ligar nem receber ligação porque está no Tribunal, em audiência ou em sustentação oral. Isso impede que você confirme a identidade pela voz.
  5. Pedido de transferência: vem o número da conta - quase sempre de um terceiro - e a insistência para que você envie o comprovante.

Atenção: a combinação "urgência + advogado indisponível para ligar + Pix para outra pessoa" é a assinatura clássica do golpe.

Os diferentes tipos de golpe do falso advogado

A fraude evolui rápido. Hoje já existem versões muito mais sofisticadas:

1. Pedido direto de dinheiro (conta de terceiros)
A versão mais comum e mais simples. O golpista apenas manda mensagens de texto e o número de uma conta. O grande sinal de alerta é que o titular da conta nunca é o advogado nem o escritório - é o "primo", a "esposa", um "preposto".

2. Áudios com a voz do advogado clonada por IA
Aqui o golpe fica perigoso. Com inteligência artificial, criminosos clonam a voz do advogado a partir de poucos segundos de áudio (de um story, um vídeo, uma mensagem). A vítima recebe um áudio que parece ser do próprio advogado pedindo a transferência. Isso já acontece na prática - não é cenário futuro.

3. Vídeos falsos (deepfake) - a próxima onda
A tendência natural é o surgimento de vídeos falsos do próprio advogado, gerados por IA, em que ele aparentemente fala com você confirmando o pagamento. Por isso, daqui para frente, nem áudio nem vídeo serão prova suficiente de identidade. A regra de ouro abaixo continua valendo independentemente da tecnologia.

Como não cair no golpe do falso advogado

Guarde estas regras - elas resolvem praticamente todos os casos:

  1. Sempre desconfie de números não salvos no seu celular. Salve no seu aparelho de celular o número do seu advogado e o número do escritório de advocacia que te atende. Quando a ligação for de qualquer número não cadastrado, desconfie e ligue imediatamente para os números oficiais do escritório, que pode ser obtido facilmente pelo Google, caso o advogado ou escritório tenha uma presença digital.
  2. Desconfie de pressa. Nenhum prazo verdadeiro se resolve com um Pix em cinco minutos. Urgência é a principal arma do golpista. Pare e respire.
  3. Confirme pelo canal oficial. Ligue para o número do escritório que você já conhecia antes (não o número que mandou a mensagem). Se a pessoa disser que o advogado "está no Tribunal e não pode atender", isso é motivo para desconfiar mais, não menos.
  4. Nunca pague em conta de terceiros. Honorários e valores legítimos não caem na conta do "primo do advogado". Estranhe qualquer conta que não seja do profissional ou do escritório. Há um ditado no direito que diz que “quem paga mal paga duas vezes”.
  5. Não confie em áudio nem em vídeo. Com IA, voz e imagem podem ser falsificadas. Confirmação só por canal oficial.
  6. Cheque o número e o registro. Verifique se o telefone é o mesmo de sempre e confirme a inscrição na OAB pelo site oficial do Conselho.

O que fazer se você desconfiar ou já caiu

  • Pare imediatamente qualquer transferência e não envie mais comprovantes.
  • Entre em contato com o advogado pelo canal verdadeiro para confirmar o que está acontecendo.
  • Se já pagou, acione o banco na hora - pode haver bloqueio ou mecanismo de devolução do Pix.
  • Registre boletim de ocorrência (inclusive em delegacia eletrônica) e guarde prints, números e comprovantes.
  • Avise o escritório: o advogado pode alertar outros clientes e tomar providências.

Conclusão

O golpe do falso advogado se apoia em dois pilares: pressa e dificuldade de confirmar quem está do outro lado. Tire esses dois pilares - desacelere e confirme pelo canal oficial - e a fraude desmorona. Com o avanço da IA clonando voz e, em breve, imagem, a única defesa realmente segura é simples e antiga: nunca pague no susto e sempre confirme diretamente com quem você confia.

Leandro Amaral Provenzano OAB/MS 13.035 – sócio do escritório Provenzano Advogados

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