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Juca Kfouri: O continente verde e amarelo

Os dois torneios continentais seguem pintados com as cores do Brasiiiiiil!!!

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O Grêmio assegurou sua vaga nas oitavas de final da Libertadores e ainda pode ser o primeiro de seu grupo caso vença o já eliminado argentino Estudiantes neste sábado (8), em Curitiba.

Com o que fugirá de enfrentar o Fluminense para pegar o uruguaio Peñarol e evitar a eliminação de um time brasileiro logo nas oitavas de final.

Apenas o embate entre Botafogo e Palmeiras impedirá que os sete nacionais sigam em frente, mas, convenhamos, se seis avançarem estará de bom tamanho entre oito clubes nas quartas de final, quase uma Copa Brasil.

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Juca Kfouri: A sanidade de El Loco Bielsa

Treinador argentino da Celeste uruguaia retrata a realidade e sonha a utopia

11/07/2024 00h05

Juca Kfouri

Juca Kfouri Divulgação

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Então, o técnico do Uruguai, que não olha para os jornalistas nas entrevistas coletivas, por timidez ou aborrecimento, levantou os olhos quando ouviu o repórter brasileiro citar o nome de Telê Santana, com quem cruzou na decisão da Libertadores de 1992 ao dirigir o Newell's Old Boys, vitória na ida por 1 a 0, derrota no Morumbi pelo mesmo placar, e triunfo tricolor nos pênaltis para valer a primeira taça do São Paulo.

Marcelo Bielsa, El Loco Bielsa, chamado de "o treinador dos treinadores", guru de Pep Guardiola, admirado por Jorge Valdano -o campeão mundial pela Argentina em 1986 como atacante, multicampeão pelo Real Madrid em campo e no banco e colunista do nível de Tostāo-, olhou na direção de onde veio a pergunta e desabafou, nem um pouco preocupado em respondê-la, mas em marcar posição:

"Você se lembra da escalação do São Paulo?

Com um treinador monumental e uma formação de jogadores de seleção brasileira.

Vejam o que se passou com o pobre futebol sul-americano.

Lá jogavam Raí, Antônio Carlos, Ronaldo, Cafú, Pintado, Elivélton, Muller, todos no futebol local, todos jogadores 'europeus', que antes de irem à Europa jogaram duas finais de Copa Libertadores.

O que aconteceu com o futebol?

Não me ponho na obrigação de contestar com lugar-comum, de forma evasiva.

Com o futebol, que é propriedade do povo essencialmente…

Por quê? Os pobres têm pouca possibilidade de acesso à felicidade porque não dispõem de dinheiro para comprá-la.

O futebol, como é gratuito, popular, permite.

Esse futebol, que era uma das poucas coisas que os pobres mantinham, já não mantém mais.

Porque, aos 17 anos, Endricks vão embora [e fez referência também a Estêvão].

Que lástima que eu tenha que dizer hoje algo que só vai me trazer críticas."

Antes, ao responder outra pergunta, tinha dito: "Cada vez mais gente assiste ao futebol, mas ele fica cada vez menos atraente. Não se privilegia o que tornou esse jogo o esporte número um do mundo. Ele não protege quem vê. O negócio é muita gente ver o jogo. Mas, enquanto o tempo passa e cada vez mais os futebolistas que merecem ser olhados passam a ser menos vistos, e cada vez o jogo se torna menos agradável, esse aumento artificial dos espectadores vai sofrer um corte. Futebol não é cinco minutos de ação, é muito mais do que isso, é expressão cultural, uma forma de identificação".

E criticou também os meios de comunicação que não investigam e não desmascaram o que há por trás do futebol ao preferir a fofoca que envolve os personagem mais conhecidos, como seu compatriota Lionel Scaloni, técnico da Argentina, ou Vinicius Junior.

Em bom português, ou melhor, em bom espanhol, era Bielsa quem falava, mas parecia o escritor Eduardo Galeano, que ficaria feliz em vê-lo dirigindo a Celeste.

Inegável o romantismo, o idealismo quase ingênuo, a utopia diante do mundo globalizado em que os países periféricos exportam commodities, pé de obra, no caso, e veem os torneios europeus na televisão ou nos apetrechos do mundo digital.

Bielsa lamenta o desaparecimento do futebol raiz ao mesmo tempo em que vive o futebol globalizado.
E chora a exclusão dos excluídos.

Sabe, como dizia Galeano, que a utopia faz andar em frente porque, quando estamos perto de atingi-la, se afasta e obriga nova caminhada.

Grande El Loco Bielsa!

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Plano Real e o Agronegócio: a produtividade equilibrou os preços

O controle da hiperinflação do Brasil trouxe um novo desafio, reduzir a expansão monetária pelo governo e aumentar a riqueza a partir de atividades produtivas privadas

09/07/2024 00h00

MIchel Constantino

MIchel Constantino Divulgação

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A estabilização monetária criada pelo Plano Real a partir de 1994 fez com que os setores mais competitivos pudessem crescer e mostrar seu potencial.

Junto com um ajuste fiscal entre as contas públicas e a criação de novos impostos, a economia brasileira aumentou a expectativa da moeda, criando uma moeda virtual e a correção da indexação pela URV – Unidade Real de Valor.

 

O controle da hiperinflação do Brasil trouxe um novo desafio, reduzir a expansão monetária pelo governo e aumentar a riqueza a partir de atividades produtivas privadas e parcerias com concessões e privatizações. 

A paridade ao dólar foi o primeiro passo, e depois sua flutuação natural trouxe mais competitividade, abrindo espaço para o “boom” do agronegócio.

A maior oferta de alimentos, equilíbrio e superávit da balança comercial ajudou o país a desenvolver seu processo econômico com bases sólidas no tripé macroeconômico, observando a política monetária como gestor da inflação a partir da taxa de juros, a expansão fiscal como relação dívida/PIB e o histórico marcante de controle da inflação, sabendo que é o “pior imposto” que pode se abater sobre as pessoas e empresas.

Precisamos comemorar o real, sua história e trajetória, e fica sempre atento às iniciativas do governo sobre a expansão fiscal, pois essa é a causa real da inflação, o IPCA é somente a medida que realizamos após o aumento de crédito e expansão fiscal pelo governo. 

Cabe uma rápida explicação, se o governo faz dívida, ou seja, imprime moeda, ele está expandindo a base monetária, criando um desiquilíbrio, e, para conter isso, o COPOM aumenta a taxa de juros Selic, levando a custo maior do dinheiro, e desincentivando o investimento e a expansão monetária, tudo com foco no controle da inflação.
 

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