Opinião

PVC

Estupidez será rival do Brasil na Libertadores

Confira a coluna de Paulo Vinícius Coelho, o PVC, desta segunda-feira

O São Paulo é o segundo clube brasileiro a estrear na Libertadores. Hoje, também é o de maior expectativa. Na terça-feira (20), o time de Hernán Crespo jogará em Lima.

Antes de entrar em campo, sua primeira vitória é poder entrar em território peruano, porque um mês atrás o Grêmio teve de enfrentar o Ayacucho no Equador, por causa da proibição de brasileiros ingressarem no Peru.

O segundo grande triunfo são-paulino é chegar à fase de grupos da Libertadores dando esperança à sua torcida. Não era assim desde as semifinais de 2016, perdidas contra o Atlético Nacional. Naquele tempo, havia um sonho de conquista. Pouco mais do que um sonho.

Hernán Crespo é um ótimo projeto. Tem modelo para jogar, com três zagueiros e com mudanças táticas de acordo com o que as partidas pedem. Também com a intenção de ter volantes criativos como Rodrigo Nestor, um dos melhores em campo na vitória sobre o Palmeiras, na sexta-feira (16), ou Talles, recém-promovido de Cotia.

Ainda haverá Patrick, lateral-esquerdo talentoso, já aprovado nos treinamentos.

O São Paulo dá boa perspectiva –nenhuma certeza.

A Libertadores é o torneio com maior número de campeões em suas últimas 10 edições. Foram 9, contra 8 na Copa do Brasil, 5 no Brasileiro e na Champions League. Verdade que o torneio sul-americano teve quatro gigantes vencedores nas últimas quatro edições: Grêmio, River Plate, Flamengo e Palmeiras.

Mesmo assim, é mais difícil prever o campeão da Libertadores do que da Champions. Lá, nos últimos dez anos, ganharam o Real Madrid, o Barcelona, o Bayern ou um inglês. Na Libertadores, ganha o Boca, o River ou um brasileiro. Não é bem assim.

A Libertadores é mais imprevisível, porque venceram Atlético Nacional e San Lorenzo. E porque os brasileiros variam muito e, talvez, em função de nossa estupidez.

Por quê? O Flamengo fez um partidaço na Supercopa, contra o Palmeiras. A derrota para o Vasco já causou críticas a Rogério Ceni.

As turbulências dos times do Brasil reforçam a razão pela qual o River Plate é o melhor time da América do Sul. O River não foi campeão nem em 2019, nem em 2020. Foi o único vencedor por duas vezes nos últimos dez anos e mantém Gallardo há sete.

Aqui, tudo é turbulência.

Todos os times brasileiros têm condição de chegar às semifinais. O Fluminense tem um grupo duríssimo, pode até ser eliminado na primeira etapa, mas se reforçou com jogadores que poderão compartilhar o espaço com os garotos. Haverá novatos como John Kennedy e experientes como Cazares.

O Santos, desacreditado em 2020, foi à decisão. Dizemos que jogar a Libertadores todos os anos ajuda a ganhar. Quando o Atlético venceu, em 2013, não disputava a Libertadores desde 2000.

O Brasil tem sempre duas vantagens, uma técnica, outra econômica. Há muitos bons jogadores nascidos no Brasil. Os clubes daqui também têm mais capacidade de investimento.

A desvantagem é a inconsistência. Se houvesse mais gente que compreendesse as etapas de montagem de uma equipe, haveria muito mais times capazes, de verdade, de ganhar a Libertadores.

*

Boa notícia

No dia seguinte à derrota do Palmeiras para o São Paulo, os muros do Allianz Parque amanheceram pichados. Mas não estava escrito "Fora, Abel". A torcida escreveu "Acorda, Abel". Talvez porque fosse mesmo absurdo pedir a saída do técnico campeão da Libertadores.

*

A mão dos agentes

A Lei Pelé não entregou o futebol aos empresários, mas aos jogadores. Acontece que os jogadores recorrem a eles. O uruguaio Daniel Fonseca queria obrigar o Flamengo a pagar ao Defensor 12,5% por De Arrascaeta. Quem levaria a comissão?

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