Embora as escalas tenham se alongado um pouco, em virtude do feriado no meio da semana, os maiores frigoríficos continuam abatendo menos devido à oferta reduzida, principalmente de fêmeas.
Esse fator continuará a pressionar os preços, segurando os efeitos do clima menos favorável às pastagens na maior oferta a partir dos próximos meses.
Com a reposição muito valorizada, a engorda de fêmeas também é uma opção para o invernista . Isso consequentemente será responsável pelo lento crescimento na oferta de bezerros nos próximos anos, o que provavelmente segurará seus valores em patamares mais elevados.
Por outro lado há pontos que pressionam os valores para baixo, como o baixo consumo interno. Dólar alto e exportações crescendo continuarão sendo o fiel da balança para o setor de carnes. Uma eventual queda do dólar, em consequência da estabilidade econômica, pode mudar sensivelmente esse cenário.
Quem usufrui melhor desse momento é o segmento de cria,menos dependente de insumos nutricionais como soja e milho, nunca tão valorizados como agora, cenário que também não deve passar por grandes mudanças a médio prazo.
Outro setor da pecuária que agradece é a produção de genética. Capitalizado, o produtor de bezerros tem uma das melhores condições de troca na relação bezerros/reprodutor, situação que tem permitido o investimento em genética de qualidade e renovação maior dos touros do rebanho,aquecendo esse mercado, reflexo observado nos valores médios alcançados nos leilões.
Viva o Agro Brasileiro!
Análise de mercado na semana
Gado Gordo
Depois de ter chegado a R$ 319,40 (U$ 56,79) na quinta-feira,15/04, a arroba do boi encerrou a semana com o Indicador ESALQ/BM&F/BOVESPA a R$ 315,40 (U$ 57,55), retraindo no mês -0,13% em R$ mas com a desvalorização do dólar, somou alta de +3,61% em U$.
Em Campo Grande-MS a arroba do boi fechou na sexta-feira a R$ 300,00 (U$ 54,74), estável em R$ mas subindo em U$. A arroba da vaca fechou a R$ 286,00 (U$ 52,19), com alta em dólar e em reais.
Com deságio em relação ao boi menor que 5% (4,6%), evidencia que a busca de fêmeas pela indústria não tem sido bem sucedida. A arroba da novilha recebeu até R$ 294,00 (U$ 53,64) com uma diferença de apenas -2% para o boi.
Reposição
Nos resultados dos leilões divulgados pelo Whats Agro nas praças de MS o kg vivo do bezerro foi negociado por volta de R$15,80 (U$2,88), com uma tendência de estabilidade depois da retração pequena de duas semanas atrás. A bezerra foi comercializada em torno de R$ 13,50(U$ 2,48) o Kg vivo, também estável em R$, mas ambos com ganhos em U$.
A reposição continua melhorando para machos e para fêmeas,embora longe de patamares satisfatórios para invernistas. Na sexta-feira um boi gordo (18@) comprava 1,7 bezerros e uma vaca gorda(13@) comprava 1,53 bezerras.
Soja
O Indicador CEPEA para a soja acumula alta de 4,42% no mês e fechou a R$180,96 (U$ 32,93) na sexta-feira.
Milho
O Indicador ESALQ/BM&F/BOVESPA para o milho fechou na sexta-feira a R$ 98,70 (U$ 17,96), acumulando no mês alta de +5,32%, contrariando quem acreditava que não havia mais espaço para subir.