Daniel Alves deu uma longa e bela entrevista ao jornal inglês The Guardian. Ele sempre fala verdades.
Às vezes, em tom exagerado. Pode ter sido o caso ao dizer que o Brasil é um cemitério de craques e técnicos, mas seu ponto de vista, a ferro e fogo, é para ajudar.
E, para ser justo, a conversa com o repórter Thiago Rabelo, do periódico inglês, começou por ponderações sobre ser brasileiro e surpreender-se no retorno ao país com o risco da fome.
Até para quem nasceu num lugar pobre, no interior da Bahia, impressiona viver num momento tão difícil neste país.
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Na sua opinião, também no gramado, o futebol do Brasil se tornou um funeral de boas ideias. Tem razão.
Falou sobre as críticas por atuar no meio de campo e sobre Fernando Diniz: "Não é técnico para o Brasil."
Julga ótimas as ideias do ex-treinador do São Paulo e que não estamos preparados para elas. Aqui há um exagero, que só será desmentido quando Diniz fizer sucesso na Europa ou na Ásia.
A tendência é muita gente usar a entrevista contra ele. Melhor apenas dispensar as hipérboles e refletir sobre o que ele diz.
De fato, o Brasil enterra ideias tão rapidamente quanto elas nascem, como mostra o fato de 10 times da Série A terem contratado 14 técnicos estrangeiros nos últimos 15 meses e 9 deles já terem ido embora.
No fim da temporada 2020, Abel Ferreira era criticado pela dependência dos contra-ataques. Nos últimos jogos, mudou o sistema tático e desenhou sua equipe de modo semelhante aos melhores da Europa. Com a bola, é um 3-1-4-2, ou 3-2-5.
Em vez de haver debate sobre a tentativa de criar variações, discutimos se a eliminação do Palmeiras é vexame ou não. No início da campanha, e não apenas na semana passada, o diretor-executivo Anderson Barros disse que o Estadual serviria para lançar jogadores.
Há 20 anos, os debates esportivos reforçam que o Estadual não vale nada. Quando Palmeiras e Santos estão perto da eliminação, numa temporada emendada na anterior, julgamos uma vergonha. Não faz sentido. Por vezes, parecemos mais preocupados com a repercussão do que com a análise.
Daniel Alves fala alto e parece querer deixar claro que conhece, por dentro, a elite do futebol mundial.
Mas seu desabafo toca em nossos pontos fracos. Daniel Alves foi criticado no meio de campo em 2019, elogiado quando o São Paulo era líder, e bastou começar a perder para o diagnóstico do erro de posição retornar.
Ele jogou bem com Fernando Diniz, anulou Gerson e foi o melhor em campo contra o Flamengo, na Copa do Brasil, quando atuava pela faixa central. Por outro lado, foi um técnico argentino, com vasta experiência na Europa, quem decidiu fazê-lo voltar para o lado direito.
No meio de campo, mas como ala, em função diferente da que fazia com Fernando Diniz. Neste novo lugar, já ofereceu quatro passes para gols. Daniel joga e pensa bem.
Tem razão ao nos fazer pensar que o Brasil pode ser melhor. Tanto para transformar a qualidade dos jogadores nascidos aqui em grandes equipes, quanto para fazer quem vive aqui ter mais educação, saúde e comida.
A força do povo
Desde 2005, a torcida do Manchester United não suporta os investidores americanos, da família Glazer. Explodiu neste domingo, com a invasão de Old Trafford e o adiamento do clássico contra o Liverpool. Na Inglaterra, a torcida quebrou a Superliga e mostra sua força.
Novo santos
Não é provável que Marcelo Fernandes prossiga no comando do Santos, mas sua presença faz lembrar uma curiosidade. Em 109 anos, o clube só foi campeão com 11 técnicos. Marcelo Fernandes é o último da lista, com o Campeonato Paulista de 2015.