Opinião

Giba Um

"Tem índio que quando você conversa ele já está tão evoluído quanto um de nós"

de JAIR BOLSONARO // na TV Brasil, voltando a destilar preconceito contra povos indígenas.

Thais Libni

22/07/2021 - 05h00

A demora do ex-governador Geraldo Alckmin em formalizar sua filiação ao PSD começa a preocupar Gilberto Kassab e outras lideranças do partido. Tem gente apostando que a lentidão é coisa de Alckmin mesmo.

Mais: tem outros achando que Geraldo Alckmin está usando a negociação com a legenda em uma última tentativa de se cacifar dentro do PSDB para disputar a eleição para o governo de São Paulo.

In – Poncho

Out – Xale

Poderia ser melhor

A cantora Shakira, 44 anos, que está na capa de Vogue México revelou que depois de todos seus trabalhos prontos sempre achava que podia melhorar. 

“Eu sempre ouço as coisas que fiz e digo ‘isso poderia ter sido melhor’, nunca estou inteiramente satisfeita. Esta insatisfação não é inteiramente negativa, tem algo de bom. Não quero voltar ao que já fiz, quero procurar outro lugar”. 

A colombiana revelou que também têm descendência árabe e que de alguma maneira isso influencia na sua música. Ela acaba de lançar novo single Don’t Wait Up, que fará parte do próximo álbum que será lançado no ano que vem. 

“As músicas continuarão a sair ao longo deste ano e acabarão em um álbum que estará disponível no próximo ano. Também tenho muita vontade de sair com shows novamente, a ideia é fazer uma turnê no ano que vem, no verão. Estou muito animada com tudo isso. Depois de curtir a quietude, agora toda a atividade recomeça”.

“Boas notícias”

A TV Brasil, que o presidente Jair Bolsonaro falou que iria extinguir logo no começo do governo, está preparando o lançamento de um jornal só com “boas notícias”. 

Ou seja: todos os problemas (e tragédias) que assolam o país não terão lugar nesse noticioso (fome, pandemia, inflação e desemprego, só para começo de conversa).

Enquanto o novo jornal não chega, Bolsonaro tem dado entrevistas onde as perguntas são todas a favor do governo e ele tem o tempo que quiser para respondê-las.

Esta semana, ele falou durante 35 minutos e prometeu aumentar o Bolsa Família, estradas, distribuir terra e levar internet aos pobres. Era pura campanha eleitoral. 

A TV Brasil tem audiência zero. Para quem tem memória curta: em 2017, na festa de Peão, em Barretos, Bolsonaro disse: “Para ser candidato a presidente tem que falar que vai ampliar o Bolsa Família, então vote em outro candidato. Não vou partir para a demagogia”. 

Esta semana, o presidente afirmou que não pretende mudar o nome do Bolsa Família para Renda Cidadã, mas apenas aumentar o valor do benefício a partir de novembro. 

E emendou: “É pouco? Sei que é pouco, mas é o que a nação pode dar. Eu quero atender a população”.

Pronta para estrear

A atriz e cantora Roberta Rodrigues está ansiosa para sua dupla estreia. Volta ao cinema com o filme Dois Mais Dois que estreia dia 12 de agostos nas telonas. 

Sua personagem no longa é adepta ao swing (sexo com troca de casais). Em uma cena do filme Bettina irá reproduzir o cartaz do filme Beleza Americana. 

Ela garante que a personagem é bem resolvida até pôr em questão seu relacionamento. E ainda viverá Lupita na novela Nos Tempos do Imperador, que estreará dia 9 de agosto. 

Sua personagem será uma escrava que venderá cocada para sobreviver, mas se envolverá com o cafeicultor Batista (Ernani Moraes) que é casado com Lota (Paula Cohen). Ela fará parte do núcleo de comédia da trama.

Manobra

O debate sobre implantação no Brasil do semipresidencialismo é cortina de fumaça para tirar da pauta o super aumento do fundão eleitoral. 

O tema foi plantado na mídia por deputados ligados ao presidente da Câmara, Arthur Lira, responsáveis pela proposta que toma R$ 5,7 bilhões do bolso do brasileiro para financiar suas próprias campanhas eleitorais. 

Lira até concorda em discutir a ideia, mas implantá-la só depois da eleição de 2026.

Conselhos

A senadora Simone Tebet, pré-candidata à Presidência da República pelo MDB, foi conversar com o ex-presidente Michel Temer, do mesmo partido, que lhe prometeu todo o apoio. 

Temer ainda é apontado como “possível terceira via”, mas já repetiu, diversas vezes, que não tem interesse em ser candidato a nada. 

Temer também pode ser bom interlocutor da senadora entre o empresariado nacional mais engajado na política.

Conselheiro

O clã Bolsonaro está preocupado com a saúde de Olavo de Carvalho, que passou por sério problema de saúde recentemente. 

Estavam em curso, além da afinidade com a família, conversas para que Olavo venha a se tornar um “Steve Bannon do presidente”, alusão ao ideólogo da campanha de Trump em 2016. 

O principal entusiasta da ideia é o filho Eduardo Bolsonaro. Caberia a Olavo ser o conselheiro do Chefe do Governo, mais especialmente nos temas da campanha.

CONTRA

Na campanha de 2018, Olavo de Carvalho se tornou cult junto à extrema direita, pautando discursos do presidente e tornando-se seu cabo eleitoral mais eficiente.

Entre evangélicos, contudo, a ideia de ter Olavo na campanha de 2022 não é bem aceita. Eles não têm apreço pelo vocabulário do filósofo, inclusive em relação a eles mesmos. 

Já se referiu aos pentecostais como “evanjegues” e também teve embates com militares, considerados o principal esteio do governo Bolsonaro.

Contra Mendonça

A indicação de André Mendonça, para a vaga de Marco Aurelio Mello no Supremo Tribunal Federal, não foi bem recebida por alguns senadores. 

Um deles é Davi Alcolumbre, ex-presidente da Casa. Alcolumbre não desistiu de impedir a aprovação do nome de Mendonça. 

Ele articula com vários senadores a derrubada do nome e a indicação de Rodrigo Pacheco, atual presidente do Senado para a vaga. 

Alcolumbre é presidente da Comissão de Constituição e Justiça e é por essa comissão que o nome de André Mendonça começa a ser avaliado. Mendonça precisa da aprovação de 41 senadores.

DE ONDE VEM

Paulo Guedes, do Ministério da Economia, está estudando alternativas para subsidiar a nova linha de crédito imobiliário voltada a policiais, anunciada por Bolsonaro. 

Ele é contrário à proposta de uso de recursos do Fundo Nacional de Segurança Pública, do âmbito do Ministério da Justiça É tudo encenação: Bolsonaro já determinou que o projeto saia do papel, venha de onde vier o dinheiro.

Dizer não

Ilan Goldfajn, ex-BC no governo de Michel Temer e hoje presidente do conselho do Credit Suisse no Brasil, acha que, depois de sua independência formal em lei, o Banco Central deve procurar garantir sua independência de fato do governo, dizendo às vezes não a convites e reuniões feitos pelo presidente da República. 

“Difícil dizer não, mas tem que dizer”. Ele foi entrevistado pelo pessoal do podcast da Casa das Garças, cujo teor será divulgado hoje.

Vacina

No Brasil, segundo o Ibope, 76% dos brasileiros, quando expostos a dez informações falsas sobre vacinas, acreditaram em pelo menos uma. 

O fenômeno explica, em parte, a queda na disposição dos indivíduos de se vacinar contra a covid – caiu mais de 70% para menos de 50%, segundo estudo sobre vacinação e pandemia em vários países do mundo. 

Os dados atuais reforçam esse achado: só no Brasil, mais de 1,5 milhão de pessoas não retornaram para segunda dose.

SEMICONDUTORES

Há meses, a escassez de semicondutores é o assunto mais comentado entre as montadoras. Estudo do Boston Consulting Group indica que pela falta desse pequeno componente eletrônico pelo menos cinco milhões de veículos deixarão de ser fabricados em todo o planeta este ano – o equivalente a mais de 6% da produção mundial de 2020. 

Europa e Estados Unidos pretendem expandir a produção local. Na América do Sul é mais complicado: exige altos investimentos.

MISTURA FINA

  • ALÉM de ter em mãos mais de 120 pedidos de impeachment de Bolsonaro, Arthur Lira, presidente da Câmara, controla a distribuição de R$ 11 bilhões em emendas parlamentares, mais do que o orçamento de sete ministérios, como o de Minas e Energia e quatro vezes o orçamento do Meio Ambiente. E nem mesmo o governo consegue saber com precisão como essa dinheirama está sendo distribuída. 
  • DE um lado, Bolsonaro está propondo aumentar o fundo eleitoral para R$ 2,2 bilhões (correção pela inflação); e outro, pensa em mandar uma mensagem modificativa para alterar LDO e reduzir o fundão de R$ 5,7 bilhões para um patamar próximo de R$ 4 bilhões. O veto simplesmente pode cair no Congresso. Se emplacar a mensagem, dobrará o valor do fundo eleitoral de 2020.
  • O NOME de Augusto Aras foi considerado pelo presidente Bolsonaro para vaga de Marco Aurélio Mello no STF. O problema é que havia várias opções que agradavam, como André Mendonça e não havia ninguém que ele avaliasse melhor que Aras para a Procuradoria-Geral da República. Mesmo porque o PGR não deverá ter dificuldades para ser aprovado pelo Senado.
  • O SENADOR Flávio Bolsonaro (Patriota-TJ) não satisfeito em entrar com uma ação contra Renan Calheiros (MDB-AL) no Conselho de Ética do Senado, acaba de entrar com uma representação com conteúdo semelhante na Procuradoria-Geral da República. Flavio alega abuso de autoridade de Renan como relator da CPI da Covid.
  • MINIRREFORMA ministerial: ao que tudo indica sai Luiz Eduardo Ramos e entra Ciro Nogueira na Casa Civil. O general deve ir para a Secretaria-Geral da Presidência no lugar de Onyx Lorenzoni, que por sua vez deverá ocupar o Ministério do Trabalho e Previdência, que será recriado por Jair Bolsonaro
  • PLATAFORMA de streaming quer contar a história do doleiro Dario Messer e de suas ligações perigosas. Se o projeto sai, significaria colocar na tela alguns nomes da elite empresarial brasileira e suas práticas pouco ortodoxas, em associação com Messer. Nomes ligados ao doleiro já procuram advogados para tentar abortar a iniciativa.
  • A REDE hoteleira francesa Accor, a maior rede de hotéis do Brasil, prevê o retorno da receita na América do Sul aos mesmos patamares de 2019 somente no segundo semestre de 2022. Com 95% dos hotéis abertos no mercado sul-americano, atualmente, a rede registra uma taxa de 37% na região. No Brasil, a taxa de ocupação é de 35%, enquanto no Chile, a média é de 50%.

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