Opinião

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Abel Ferreira só tem uma opção na semi do Mundial

O problema é que o Palmeiras será favorito contra o Al Ahly, do Egito. Terá de se impor

Denis Felipe

Denis Felipe

07/02/2022 - 00h02

O texto de Abel Ferreira publicado no site The Coaches' Voice (A Voz dos Técnicos) em 2021 voltará à tona na semifinal do Mundial de Clubes. 

O treinador do Palmeiras diz que é preciso saber escalar uma montanha, especialmente quando não se é melhor do que o adversário.

O problema é que o Palmeiras será favorito contra o Al Ahly, do Egito. Terá de se impor.

Ele já admitiu que o Chelsea é melhor do que o Palmeiras. 

A casca de banana do Al Ahly, terceiro no Mundial de 2020, surpreendeu contra o Monterrey, do México, mesmo com seis desfalques, que representaram o Egito na Copa Africana de Nações.

Abel Ferreira entende que Napoleão Bonaparte, um homem pequeno, quase conquistou o mundo graças às estratégias. Reconhecer o limite e estudar o rival é fundamental, para o treinador português.

Ajudou a decidir a Libertadores contra o Flamengo.

Só que o Al Ahly jogará no mesmo sistema 5-4-1 usado por Abel em Montevidéu. As escapadas são rápidas pela esquerda, com Abdelkader. 

As diagonais dele, para o centroavante Mohamed e para o meia-direita Al Shahat, também representarão perigo.

Que ninguém mais repita o clichê de que os africanos são correria. Salah foi candidato a melhor jogador do mundo. 

O Mazembe e o Raja Casablanca foram finalistas de Mundiais de Clubes.

O Palmeiras tem de anular os contra-ataques do Al Ahly. Mais que isso, achar espaço numa defesa que se fechará muito.

Quebrar linhas de cinco, como a do rival egípcio, exige paciência e rapidez nas trocas de passes. 

Uma opção são os lançamentos em diagonal, para inverter o lado da jogada sobre o quarto homem da defesa. Aquilo que Tite chama de "desdentar" a linha de cinco.

Raphael Veiga impressionou-se com a capacidade de Abel Ferreira para arquitetar a jogada do primeiro gol da final contra o Flamengo: "Fizemos a jogada no treino, cheguei atrasado na bola e levei bronca. Ele me disse que tinha de ir até a marca do pênalti, porque o cruzamento d o Mayke ia chegar no meu pé."

A diferença é que o Palmeiras ensaiou a final contra os rubro-negros por quarenta dias e, desta vez, só teve certeza de que enfrentaria o Al Ahly no sábado (5). 

Por outro lado, enfrentou o mesmo rival na decisão de terceiro e quarto do Mundial há um ano.

Empatou sem gols, por não furar o sistema do treinador sul-africano Pitso Mosimane, assistente de Joel Santana na seleção de seu país, na Copa das Confederações de 2009.

Mosimane questiona por que razão o campeão da Libertadores tem lugar cativo nas semifinais dos Mundiais. Este é uma pergunta da Fifa, não do Palmeiras. 

Para Raphael Veiga, Dudu e Rony, o problema é fazer gols e explicar, em campo, por que os sul-americanos têm a preferência. 

Lembrar, com a bola no pé, que a América do Sul tem nove títulos mundiais de seleções e 26 de clubes, somando as 22 Copas Intercontinentais aos quatro da era Fifa.

Não exclui a lembrança de que o continente perdeu cinco das últimas onze vagas nas finais. Só duas para africanos.

O Al Ahly será um rival perigoso para o Palmeiras. Exigirá artimanhas diferentes de Abel. Desta vez, muitos desenhos e estratégias de ataque, para fazer gols e evitar contragolpes dos rivais do Egito.

15 mil em Itaquera

O melhor time do Brasil no futebol feminino, o Corinthians teve excelente atuação na estreia da temporada 2022, 3 a 0 sobre o Palmeiras. 

Tamires foi a melhor em campo. Mas a notícia foram os 13.800 torcedores na abertura da temporada.

Só uma vitória

Fábio Carille mudou o sistema tático do Santos contra o Corinthians e quebrou o tabu de 12 clássicos sem vencer em Itaquera. 

Manteve a estratégia e não ganhou do Guarani. Santos dependerá dos garotos, Ângelo e Marcos Leonardo.

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