Opinião

Economia

O efeito dos juros altos no crescimento econômico

Confira a coluna de Michel Constantino desta terça-feira

Thais Libni

22/02/2022 - 00h03

A política monetária gerenciada pelo Banco Central do Brasil – BCB, prevê esse ano mais aumentos da taxa de juros Selic, esse movimento para cima tem o objetivo de frear o crescimento dos preços, que chamamos de inflação. 

Em 2020 tivemos a menos taxa de juros registrada pelos dados brasileiros, chegando a 2%, porém, em março de 2020, a pandemia do covid-19 fez com que o governo federal desse início a uma política monetária expansionista para atender a população durante as paralizações das empresas e o aumento do desemprego. 

Com aumento de dinheiro em circulação vindo ao auxílio emergência e a concessão de crédito para as empresas, a demanda aumentou e o efeito foi diretamente nos preços dos produtos e serviços mais consumidos pela população.

Assim, o mercado de crédito que consiste num sistema no qual ocorrem trocas financeiras, visando repassar o dinheiro dos poupadores para os tomadores, cresceu durante a pandemia e permitiu que o país apresentasse um crescimento econômico de 4.5% em 2021, melhor que muitos países europeus e da américa latina. 

Esse mercado de crédito tem uma importância significativa nos países, principalmente no Brasil, de forma que empresas e pessoas consigam financiamento e empréstimos, estimulando novas formas de negócio e promovendo a dinâmica da economia. 

O panorama econômico do crédito no Brasil é apresentado a partir das concessões totais de créditos por tomadores, bem como a taxa média de juros dessas operações. 

As concessões de crédito aumentaram em 2020 para as empresas (Pessoa Jurídica -PJ) de forma exponencial com os programas do governo para fomentar os empreendedores e manter os empregos. 

A Figura 1 mostra os resultados desde 2011 com dados do Banco Central do Brasil, e na Figura 2, a relação inversa, pois, quando aumenta a taxa de juros o custo do crédito aumenta e a concessão de crédito começa a diminuir, reduzindo o fluxo de moeda na economia, diminuindo a inflação e por efeito diminuindo o crescimento econômico. 

A partir de 2013 a Figura 2 mostra o crescimento da taxa de juros e com isso tivemos o pior resultado econômico do Brasil registrado entre 2015 a 2017. 

A previsão do Banco Central pelo Boletim Focus de mercado para 2022 é continuar aumentando e chegar de 12 a 13.5% a.a, e em 2023 voltar reduzir para aquecer a economia novamente. 

Em ano eleitoral e com incertezas externas em relação à guerra, o movimento de alta do petróleo e consequentemente do dólar deve pressionar ainda mais o Banco Central para aumentar a taxa de juros, porém, devemos analisar as iniciativas de redução de impostos dos combustíveis que estão no senado federal e na câmara dos deputados e observar em março ou abril a redução das tarifas de energia após acabar as faixas vermelhas ligadas à falta de chuva. 

Esses dois pontos, combustíveis e energia serão cruciais para a mudança da política monetário do BC.

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