É o Brasileiro do perde e ganha, em que o campeonato tem a menor pontuação de um líder depois de 9 rodadas. Se você pensava num triangular entre Palmeiras, Atlético e Flamengo, eles seguem oscilando e deixando a 1ª colocação para o Corinthians.
Alguém dirá que o desempenho deveria ter sido melhor depois de uma semana livre para treinos. Deveria. Só que uma semana depois de meses de desgaste pode servir para tirar o peso das costas, em vez de se concentrar no trabalho.
Foi mais a marcação e menos cansaço o problema palmeirense, que melhorou no 2º tempo, mesmo sem fazer o suficiente para manter a liderança, que está nas mãos do Corinthians. Como contra o Santos, na Vila, esteve longe de seu melhor desempenho. Pelo 2º jogo seguido.
O Atlético estudou cuidadosamente o Palmeiras para impedir o jogo preferido de Abel Ferreira. Durante todo o 1º tempo, o dono da casa não conseguiu realizar nenhum desarme no campo de ataque. Só começou a se estabilizar depois dos 30 min, período em que subiu a posse de bola para 46% e finalizou 7 vezes. Nenhuma certa.
O Galo acertou apenas uma, de Allan, mas foi superior na primeira metade do jogo. A perda de Raphael Veiga, aos 13 do 1º tempo, atrapalhou muito o Palmeiras. Rony foi para a esquerda, Navarro de centroavante e Scarpa como armador. E faltava o meia mais criativo da equipe.
É difícil marcar Hulk e, sem Gustavo Gómez, mais duro ainda. Hulk inventa gols. Até mesmo quando sai da área, como fez contra o Cruzeiro, na final do Mineiro, ou na impressionante finalização contra o Avaí, pela 8ª rodada. Isso deu certo para Abel. Hulk não chutou em gol na 1ª metade da partida.
Terminou o jogo com uma finalização. Em tese, não há comparação entre o estágio atual do Palmeiras com o vivido nas semanas de semifinais da Libertadores. Isto deveria significar que o Allianz visse seu time atacar o Galo, como não podia fazer há 6 meses. O Atlético de Cuca era melhor do que é hoje e o Palmeiras estava pior.
De novo, Abel sofreu para fazer seu time superar a estratégia do Galo. Sem o mesmo número de desfalques causados pela data Fifa, o Atlético tinha problema talvez mais importante: a lesão de Zaracho.
Talvez para compensar a ausência de um articulador, que compete muito e ajuda nos desarmes, o técnico Antonio Mohammed trocou um atacante, Sasha, por um volante, Otávio.
Era a reação à melhora palmeirense na segunda etapa.
Pois levou cartão amarelo logo depois de entrar em campo e comprometeu um pouco mais a marcação do Galo. Fato é que não se viu um confronto entre dois dos melhores times do país. A qualidade foi maior no Fla-Flu e em Corinthians x São Paulo, por exemplo.
O equilíbrio é o tom deste clássico. Nos 4 jogos em que os times titulares se enfrentaram, na Libertadores e nos dois últimos encontros de Brasileiro, houve 4 empates.
Nesta altura da campanha, houve mais medo de permitir que o rival deslanche do que ambição de Palmeiras e Atlético, para assumir a liderança e demonstrar ser o maior candidato ao título.
Sanfona corintiana
Vítor Pereira não faz o jogo que gostaria. É competitivo, não bonito. Mas tem 18 pontos. O que mais funciona é a capacidade de mudar o sistema com os mesmos jogadores em campo. Na vitória contra o Atlético-GO, começou no 4-3-3, terminou no 5-4-1.
Rogério Pistola
Rogério Ceni tem razão em ficar bravo com o pênalti perdido por Calleri e pelo desempenho que caiu em um jogo quase ganho. A questão é entender se a cobrança fará com que o time entenda o comportamento necessário para vencer. Ou se piora.