Percorrendo, em pensamento, alguns caminhos da vida, nos deparamos com inúmeras histórias. Algumas feitas de acontecimentos agradáveis e confortadores, outras marcadas por sofrimentos, por lutas e por desenganos que afligem a sensibilidade humana. São lutas com resultados nada agradáveis, verdadeiros e tristes fracassos.
As histórias contam a vida. As vidas nascem das experiências. As experiências ensinam a definir, a construir e a seguir um caminho. O caminho, seja qual for, revelará quais segredos alimentar e assumir na esperança de alcançar tudo quanto faça parte dos sonhos humanos.
Será preciso definir-se enquanto esteja a caminho da esperança, que estará viva na mente e no coração de quem acredita no melhor. Quem acredita no melhor não se acomodará ao comum. Quem ama os valores não temerá desafios, quem estiver em busca de realização percorrerá com entusiasmo e com confiança em suas capacidades.
Hoje, me deparei com a história de alguém muito especial. Um homem corajoso, bem-sucedido em sua profissão, exímio profissional e competente administrador. Para os olhares críticos, talvez possa ser visto como interesseiro de aparecer nos quadros sociais ou mostrar-se um mal-intencionado aventureiro.
Embora haja quem assim pense, assumiu o risco de ser ridicularizado e condenado. Mas ele não pensou assim. Ele quer encontrar algo, ou alguém, que preencha o vazio de sua alma. Busca respostas a tantas dúvidas que o inquietam, a tantos dramas em sua consciência de homem público dominado pelo orgulho e pela vaidade.
Esse homem está aqui representando tantos Zaqueus que perambulam pelos caminhos da vida querendo encontrar forças e superar fraquezas. Quer encontrar luzes e dissipar as trevas do orgulho. Quer encontrar paz em suas tribulações e bondade em seus gestos. Quer, e precisa, encontrar Deus.
São pessoas que não temem reconhecer suas limitações espirituais e a necessidade de purificar sua mente e seu coração. Foi isso que, de acordo com a Bíblia Sagrada, levou Zaqueu a subir em uma árvore e poder ver melhor aquele que o incomodava mentalmente, ferindo sua consciência depravada. Queria vê-lo pessoalmente.
Foi quando o Mestre, que ele tanto queria ver, o olhou nos olhos e lhe disse: “Hoje quero estar na sua casa”. Nada mais precioso. Nada mais apaixonante do que uma proposta como essa. Assim se inicia a mudança em suas atitudes. Assim se inicia o processo de conversão. Aquele homem, duro no trato com as pessoas humildes e pobres, agora se transforma.
Sua conversão se abre ao amor de Deus, manifestado em sua confissão, na qual propõe repartir seus bens com os pobres, organizar uma sociedade solidária com os mais necessitados e, a quem defraudou, devolver quatro vezes mais (Lc. 19:1-10).
Uma mudança radical aconteceu. Uma nova visão de vida foi aparecendo. A sensibilidade foi se restabelecendo em seu coração. Uma nova vida surgiu. Um novo caminho se abriu.
E a paz retornou em tantos corações famintos de um renascer de esperanças e de alegrias, transbordando em cada coração o amor a Deus e aos irmãos.