Noticias do mundo globalizado devem ser extraídas para reflexões, quando não comprometidas com mentiras, farsas, fakes, como as narrativas do conflito eslavo, a dos indutores da guerra, da hegemonia em meio à nova ordem estratégica e econômica mundial, ou as daqui, sobre a polarização, o balão da terceira via, a má interpretação da Constituição e as agendas ufanistas.
Destas extraio as que se referem ao segundo turno da eleição francesa (2022). Lá ocorreu uma disputa acirrada entre a extrema-direita ferrenha e a “centro-direita”, em que todas as correntes ideológicas foram contrárias à outra, com a missão de formar uma frente capaz de barrar o crescimento das ideias conservadoras e retrógradas de um passado (que ressurge) contrário aos princípios republicanos.
Não se tratou da continuidade da polarização extremada como divulgado, e sim de uma representação política republicana com o respeito às diferenças, resultando na vitória.
Entre nós, a Coligação Brasil Esperança reuniu 16 partidos (frente ampla popular) em apoio ao candidato que representou a oposição, em contraposição a cinco partidos que defendiam a manutenção do governo atual, que visava sua reeleição, assemelhando-se ao embate francês.
Na realidade, não podíamos relativizar as eleições brasileiras como uma simples disputa natural, normal entre dois pretendentes ao comando da nação, e sim de uma contenda atual sobre ideologias antagônicas, suas características, influências na política, bem-estar da sociedade e no Estado Democrático.
As pegadas da ultradireita passaram ao largo da França, cresceram expressivamente na Espanha, mantêm-se fortemente na Alemanha, atingiram o coração da Itália e a alma da Suécia, neste caso, uma força política representada por um partido novo, travestido de democrata e perigosamente originária de grupos neonazistas, mas aqui foram apenas rastros apagados pela verdadeira democracia.
Na contramão da globalização, o nacionalismo surgiu como um antídoto na defesa dos seus pelas mãos do neoliberalismo. O crescimento da extrema-direita na Europa e nos EUA e, agora, no Brasil, aparentemente justificado pela crise econômica mundial, tem como fundo presente o desgosto pela política partidária, a desconfiança nos partidos constituídos, a competição entre os imigrantes no campo do trabalho, a incerteza na economia, na organização social, descambando para o ultranacionalismo como protetor dos direitos dos conservadores, remontando às raízes da Idade Média, em busca da garantia de um lugar exclusivo e no resguardo do “status quo” de uma minoria e seus feudos.
O plano politico da ultradireita internacional cresce ao levar em conta os controles sobre os imigrantes, a sanha punitiva do “lawfare” e a persecução sobre as ilegalidades, e a defesa do direito dos nacionais em relação a acordos internacionais, restrições superficiais sobre as grandes fortunas, redução de determinados impostos, proteção e defesa do livre comércio, privatizações em determinadas áreas e estatização em outras de interesse do governo, e não do Estado.
Enquanto isso, a esquerda, retraída, sem eco, com medidas mais amenas e um discurso conciliatório, evita a radicalização, ao não contradizer aquelas ideias xenófobas, nacionalistas, da defesa do Estado mínimo, do livre mercado, contrárias aos direitos coletivos e ao bem estar da sociedade.
Assim, do mesmo modo sorrateiro do avanço da ultradireita, outro fato preocupante, ainda resquício da pandemia, são os diversos novos vírus à espreita, capazes de surpreender o planeta.
Além de depender de proteção continuada de várias doses de reforço e exigir a vacinação universal, a manutenção das medidas sanitárias preconizadas e devidamente aprovadas cientificamente como combate efetivo se mostrou neste cenário político contrária às ideias negacionistas da direita e do desrespeito ao meio ambiente.
Em muitos países, por ignorância ou má-fé nas políticas públicas ao negligenciar as medidas de proteção e prevenção, a desobrigação do uso de máscaras em locais fechados, a diminuição da testagem em massa e o relaxamento das exigências sobre as orientações como a redução dos programas de vacinação, medidas que comprometeriam a política econômica, de acordo com negacionistas submissos às conceituações da ultradireita, capaz de nos colocar em risco permanente.
Pelo menos no Brasil atual ficaram apenas as “pegadas”...