É inegável que há males que vêm para o bem, no caso recente, o bloqueio das rodovias brasileiras, praticado pelos caminhoneiros, causou uma situação de gravidade para a economia do País, impactando até mesmo o abastecimento de todo o tipo de mercadorias, principalmente combustíveis e medicamentos, afetando a vida de milhões de brasileiros, e milhares de pessoas com problemas sérios de saúde ficaram retidos horas seguidas, porque o direito de ir e vir foi desrespeitado.
Há muito tempo se propaga sobre a revitalização das ferrovias desativadas e abandonadas, totalmente sucateadas, representando um enorme prejuízo para o País. Contudo, os estudos elaborados acabam tendo como destino as gavetas dos ministérios envolvidos.
Não resta dúvidas de que a recuperação de nossas ferrovias viria solucionar o grave problema de transportes por rodovias, que encarecem o preço final das mercadorias, além de evitar perdas de vidas humanas por acidentes, cuja causa principal são as péssimas condições de nossas vias.
Estamos a dois meses do início de nova administração do País, por conta da eleição realizada em 30 de outubro, quando o atual mandatário não conseguiu se reeleger, o que, certamente, mudará a filosofia de governo e suas prioridades.
Recursos para recuperar as ferrovias provavelmente não estarão contemplados no Orçamento da União, mas os políticos eleitos deverão indicar ao novo presidente a imperiosa necessidade desse investimento, sem mais demora, porque um país com a dimensão do Brasil não pode ficar a mercê de interesses classistas.
A reengenharia é uma ferramenta de gestão que tem como objetivo tornar uma empresa competitiva por meio de medidas que alterem seus processos, ou seja, eliminando os processos ultrapassados e reinventando novos procedimentos operacionais, o que proporcionará a redução de custos e o aumento do grau de satisfação.
Temos engenheiros competentes capazes de realizar todas as etapas necessárias ao reerguimento desse modal de transporte, com eficiência e segurança que o empreendimento requer.
Mas como concretizar um empreendimento que requer recursos financeiros elevados e que não possui alocação no Orçamento da União? Bem, nós abordamos no início a mudança na administração do País, em que os senhores deputados e senadores devem voltar atenção às prioridades que representem a recuperação da economia nacional, pensando no País e na sua população, independentemente de cor partidária ou de interesses de grupos, afinal, de acordo com a Constituição, no sistema democrático de governo é em nome do povo que se governa.
A comissão de transição para o próximo governo deve debater esse tema a exaustão, propondo até mesmo que se negocie um financiamento internacional para a obtenção de recursos destinados à recuperação de nossas ferrovias e que nossos representantes lutem para que a antiga Noroeste do Brasil, de Bauru-SP a Corumbá-MS, seja colocada como prioridade.
Sabemos que a tomada de decisões no setor governamental é muito lenta e por isso a sociedade organizada deve se unir em torno desse projeto.