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OPINIÃO

Christiane Couve de Murville: "Um ensaio sobre percepção e realidade"

Doutora em Psicologia pela USP
13/12/2019 01:00 -


Certos experimentos mostram que, conforme a frequência com que fazemos vibrar uma lona com sal sobre a sua superfície, obtemos um arranjo diferente das partículas que estão sobre ela. Para cada frequência, as partículas de sal se organizam em um desenho diferente.

Considerando que vivemos em um universo onde tudo vibra, talvez o que conseguimos enxergar da realidade não passe de um possível arranjo das energias presentes no universo. Assim, conforme a faixa vibracional que sintonizamos, encontramos uma possibilidade de desenho e organização da realidade para a qual estamos sensíveis e que tomamos como verdadeira.

A realidade que surge a nossa volta está intimamente vinculada a capacidade perceptiva e sensibilidade a vibrações, como se fôssemos antenas captadoras e emissoras de frequências. Mas o quanto conseguimos, de fato, captar do que nos rodeia?

No mundo material tridimensional que conhecemos, estamos acostumados com os cinco sentidos relacionados ao nosso corpo físico: tato, paladar, olfato, visão e audição. Construímos uma imagem da realidade a partir das impressões e sensações que nos chegam. No entanto, os sentidos operam como filtros da realidade, permitindo capturar fragmentos distorcidos daquilo que se apresenta ao nosso redor.

Por analogia, um exemplo são aqueles brinquedos infantis com peças coloridas em formatos variados para encaixar em orifícios com a mesma forma. Assim como esse jogo, os filtros dos sentidos só deixam passar e ser capturado o que pode ser assimilado em nossos modelos de percepção. Uma parte desta realidade não encontra canal de decodificação sensível e, infelizmente, esse refugo é a maior parte.

No estado de vigília, chegam-nos apenas pedaços do que se encontra a nossa volta, e de forma fracionada, separados pelos sentidos, ocasionando visões, impressões e concepções distorcidas da realidade. Ninguém percebe ou vive na mesma realidade, mas na sua particular, com as belezas e os horrores que compõem o seu mundo.

Apesar de eventualmente nos considerarmos sóbrios, vivemos como bêbados no dia a dia. Com os sentidos operando como filtros da realidade, limitados à faixa vibracional que sintonizamos e distorcidos por nossas interpretações tendenciosas e enviesadas do mundo ou da nossa percepção dele, dificilmente conseguimos enxergar as coisas como de fato são.

 

Felpuda


Embora embalada por vários “ex”, pré-candidatura a prefeito de esforçada figura não deslancha. É claro que ninguém ousa falar em voz alta que o apoio, em vez de alavancar os índices com o eleitorado, está é puxando para baixo. Uns dizem que o título do filme “Eu Sei O Que Vocês Fizeram no Verão Passado” retrata bem a situação. Outros complementam: “... na primavera, no outono, no inverno...”. Como diria vovó: “Aqui você planta, aqui você colhe!”.