Colunistas

CLÁUDIO HUMBERTO

"Nós temos hoje um xerife no Brasil e isso é intolerável"

Senador Rogério Marinho (PL-RN) ao defender impeachment de Alexandre de Moraes

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Pereira usa Hugo Mota para tentar ‘emparedar’ Lira

Inviabilizado na disputa pela presidência da Câmara, o deputado Marcos Pereira (SP) tenta garantir o cargo para o Republicanos, que preside, indicando o correligionário Hugo Mota (PB) como alternativa dos partidos de centro. A jogada objetiva “emparedar” o presidente, Arthur Lira (PP-AL), ainda sem candidatura oficial, constrangendo-o a apoiar o jovem paraibano. Faltou “combinar com os russos”, principalmente com Lira, maior “eleitor” da Casa, que jamais abriria mão de liderar esse processo.

Nascimento vive

Outro “russo” não consultado é o baiano Elmar Nascimento (União), ainda o mais forte na disputa, caso garanta o apoio de Arthur Lira.

União ameaça o PT

O Planalto se opõe a Nascimento, e tenta convencer Lira a desistir dele, porque o União Brasil é a maior ameaça ao poder político do PT baiano.

Lula atrapalha

Lula não tem votos na Câmara, mas pode atrapalhar. Vetou Pereira sem dizer que o fazia. Simplesmente não o recebeu, apesar da insistência.

Para o presidente petista, que teme eventual enfrentamento em 2026, Tarcísio Gomes de Freitas “mandaria” na Câmara, com Marcos Pereira.

Há 14 anos Lula enrola e deixa Goiás fora da agenda

Se não cancelar de última hora, como já fez por outras três vezes neste mandato, o presidente Lula (PT) tem a chance nesta sexta-feira (6) de visitar Goiás, onde seu partido é fraquinho. O petista pode inclusive aproveitar a ausência do governador Ronaldo Caiado (União Brasil), que está em férias na Grécia com a esposa, entre os convidados do cantor sertanejo Gusttavo Lima. O desprezo de Lula é recíproco, já que 58,71% dos eleitores preferiram Jair Bolsonaro (PL) nas últimas eleições.

Esfarrapada

Em junho de 2023, sua visita a Rio Verde foi cancelada sob alegado “mau tempo para pouso”, segundo desculpa do Planalto, à época.

Europa é bom

A propaganda de Lula divulgou que ele reduziria as luxuosas viagens ao exterior para viajar pelo Brasil, mas não foi bem assim...

Tô fora

Lula não esteve em 11 Estados, este ano, maior o desprezo por Acre, Rondônia e Tocantins: ainda não os visitou desde a posse.

Mão boba

Entre os atos grosseiros do ministro Silvo Almeida (Direitos Humanos) contra mulheres, registrados na ONG Me Too Brasil, estão mão boba nas pernas, beijos inapropriados, palavras chulas de cunho sexual etc.

Diz aí, Anielle

Espera-se da ministra Anielle Franco (Igualdade Racial), que seria vítima de Silvio Almeida, a dignidade de denunciar o assédio, e que Janja e Lula deixem claro se o governo continuará a agasalhar assediador.

Mistério Novo

Um mistério intriga Brasília: sempre tão agressivo na oposição, o partido Novo se recusou a criticar as relações de Lula (PT) com Deolane Bezerra, “influencer” presa no Recife. Viralizaram na internet as fotos carinhosas de Lula e Janja sorridentes com a acusada de tantos crimes.

Conversa de bêbado

Magno Malta (PL-ES) cobrou Rodrigo Pacheco (PSD-MG) pelo fim da censura após reunião do presidente do Senado com ministros do STF sobre o X. Achou o discurso fraco, “conversa de bêbado para delegado”.

Convocação

Exortações ao protesto deste sábado (7) pipocam pelo Brasil. O senador Eduardo Girão (Novo-CE) puxa o chamado em Fortaleza (CE), na Praça Portugal, 16h, para enfrentar a “ditadura da toga”.

Tá bombando

Lançado há poucos dias, o perfil “Alexandre Files”, no X, beira os 380 mil seguidores. A conta foi criada pela própria equipe do X para expor as contestadas decisões de Alexandre de Moraes.

Fala aos gringos

Os parlamentares Marcel van Hattem (Novo-RS) e Eduardo Girão (Novo-CE) marcaram viagem aos Estados Unidos. Têm encontros marcados com congressistas de lá. A pauta é a censura à rede social “X”.

Petição pública

O pedido público de impeachment contra o ministro Alexandre de Moraes (STF) na plataforma Change.org deve ultrapassar as 1,4 milhão de assinaturas nesta sexta-feira (6).

Pensando bem…

…o eleitorado na Câmara é outro.

PODER SEM PUDOR

Cunhado de qualidade

O ex-governador de Alagoas Guilherme Palmeira, ministro do Tribunal de Contas da União, conversava com o deputado Nelson Costa, que entrou para o folclore político ao pedir, como souvenir, a guimba do cigarro que o general João Figueiredo acabara de fumar, durante uma audiência. “Sinceramente, não sei o que seria de mim sem o meu cunhado”, disse Nelson Costa a Palmeira, “ele me ajuda muito.” O ministro estranhou: “Desculpe, amigo, mas que cunhado?” O deputado esclareceu: “Aquele ali, pendurado no crucifixo.” Era orgulhoso da irmã freira, que se “casou” com o filho de Deus.

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EDITORIAL

O bolso também vai às urnas

Renegociação de dívidas alivia o orçamento, mas não resolve a distância entre o desejo de consumo, a renda e a capacidade de pagamento

19/09/2026 07h15

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Nesta edição, o Correio do Estado mostra que os feirões de renegociação de dívidas e programas como o Desenrola, embora tenham permitido a milhões de brasileiros reorganizar suas finanças, não têm sido o suficiente para resolver o problema do endividamento. Renegociar uma dívida pode aliviar juros e recuperar parte da capacidade de pagamento, mas não elimina as causas que levaram o consumidor a comprometer sua renda.

A explicação para isso tem várias camadas. Em primeiro lugar, os hábitos de consumo não apenas do brasileiro, mas do cidadão do mundo ocidental, mudaram. O aumento da escala de produção tornou mais acessíveis produtos e serviços que antes eram restritos a uma parcela menor da população. Ao mesmo tempo, as redes sociais turbinaram a exposição a esses produtos, criando e ampliando desejos de consumo que nem sempre correspondem à renda de quem os deseja.

O problema surge quando a expectativa de consumo cresce mais rapidamente do que a capacidade financeira. A sociedade passou a conviver com uma vitrine permanente de viagens, carros, roupas, eletrônicos, restaurantes e experiências. O que antes era visto como excepcional passou a ser apresentado diariamente como algo comum e desejável. O consumidor, porém, continua limitado pela renda que recebe.

Dessa distância entre desejo e capacidade de pagamento surgem dois problemas. O primeiro é a frustração de quem não consegue alcançar aquilo que gostaria de ter. O segundo, ainda mais grave do ponto de vista financeiro, é o superendividamento de quem recorre ao crédito para aproximar sua realidade do padrão de consumo que deseja. O crédito, que deveria ajudar principalmente na aquisição de bens duráveis e no planejamento financeiro, acaba sendo utilizado para antecipar uma renda que não existe.

É por isso que os feirões e programas de renegociação, por mais importantes que sejam, não podem ser vistos como solução definitiva. Eles atacam a dívida já existente, mas não necessariamente modificam os hábitos de consumo, as expectativas ou a relação do cidadão com o crédito. Sem essa mudança, existe o risco de que a renegociação apenas abra espaço para um novo ciclo de endividamento.

Essa realidade também terá reflexos sobre as eleições que se aproximam. O bolso do cidadão é uma dimensão concreta da vida pública e pode pesar na forma como parte do eleitorado avalia governos, políticas econômicas e candidatos. Questões como corrupção, rachadinha e soberania continuarão presentes no debate, mas podem dividir espaço com preocupações muito mais imediatas para quem enfrenta dificuldades para fechar as contas do mês.

No fim, a questão é simples e, ao mesmo tempo, complexa: quanto maior a distância entre aquilo que o cidadão deseja consumir e aquilo que sua renda permite, maior tende a ser a pressão sobre seu orçamento e sua percepção sobre a realidade econômica. Compreender essa relação entre consumo, crédito, renda e frustração será importante para entender uma parcela do comportamento do eleitor nas eleições deste ano.

ARTIGO

Pelo fim dos superpoderes e a defesa da Constituição

19/09/2026 07h00

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Pedro Simon - Advogado, foi governador do Rio Grande do Sul, ex-senador da República e ministro da Agricultura

Ao longo dos meus 96 anos, vivenciei alguns dos piores momentos da história brasileira. Dos autoritarismos da ditadura militar aos maiores escândalos de corrupção da Nova República, estive na linha de frente de todos esses episódios, em defesa de um país melhor, mais justo, livre e igualitário. Confesso que lutei, como disse em meu discurso de despedida do Senado, em 2014: onde vi corrupção, lutei para levar a ética; onde vi impunidade, lutei para levar a justiça.

Hoje, assisto de longe, com angústia, à fragilização das instituições que construímos a partir de 1988, corroídas pela improbidade, pela maximização do interesse pessoal e por novas formas de coronelismo.

Vivemos hoje a maior crise deste século no Brasil: uma crise constitucional, da relação entre os poderes constituídos, que coloca em xeque a credibilidade da República perante a sociedade civil e a comunidade internacional.

Enquanto o Poder Executivo é capturado por projetos de poder que se confundem com projetos de governo, e não por projetos de Estado-nação, o Legislativo sequestra o orçamento republicano por meio de emendas parlamentares sem transparência nem responsabilidade, sob o domínio dos mesmos grupos políticos fisiológicos.

Enquanto isso, o Poder Judiciário, encastelado em uma superioridade autoproclamada, assume uma posição perigosa de tutela absoluta de todos os assuntos da República – mas, sob o comando de alguns de seus agentes e salvaguardadas honrosas exceções, em nada difere, em condutas recentes, dos entes corruptos e corruptores que se propõe a julgar.

As investigações em torno do escândalo do Banco Master e o embate público recente entre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) expuseram, em todo o País, uma Corte que deveria pacificar a Nação e que, em vez disso, tornou-se palco de disputas que corroem a sua própria autoridade moral. Já disse, e repito: vivemos a página mais triste da nossa história neste século, na qual perdemos a confiança nos Três Poderes da República.

A recente deliberação do STF aprofunda essa crise de credibilidade institucional. Ao expor divisões internas e hesitar no rigor sobre as apurações do caso do Banco Master que envolvem membros da própria Corte, o Tribunal compromete a autocontenção e a neutralidade exigidas da magistratura. O episódio confirma que a ausência de controle externo efetivo e a resistência à transparência corroem a autoridade moral do guardião da Constituição.

Foi no Senado que passei 32 dos meus 60 anos de vida pública, ao lado de Ulysses Guimarães, Tancredo Neves e Teotônio Vilela, na reconstrução da nossa democracia. É por essa vivência que faço um alerta: compete privativamente ao Senado, por força da Constituição Federal, processar e julgar os ministros do STF por crimes de responsabilidade. Esse é um dos pilares do equilíbrio entre os Poderes que ajudamos a erguer em 1988, e hoje ele está, na prática, esvaziado. Dezenas de pedidos de impeachment contra ministros da Corte acumulam-se há anos nas gavetas da mesa diretora, sem parecer e sem votação.

Em toda a nossa história democrática, nenhum ministro do Supremo jamais chegou a ser julgado até o fim por esse rito. O Senado, a quem caberia fiscalizar o Judiciário, tem preferido o silêncio ao exercício desse dever constitucional, seja por cálculo eleitoral, seja pelo receio de turbulência institucional. Um poder que se omite de fiscalizar torna-se, ele também, parte da crise.

O Brasil precisa de uma resposta firme e rigorosa; necessita que se instaure investigação regular e independente sobre os fatos revelados, assegurados o contraditório e a ampla defesa; que o STF retome, sem subterfúgios, a sua autocontenção institucional; que se encerre o inconstitucional inquérito das fake news; que todos os envolvidos com o Banco Master sejam investigados, independentemente do cargo ou partido político; que se restabeleça a atuação dentro dos limites da Constituição, e que ninguém, nem mesmo quem julga a Nação, esteja acima da lei.

Chegou o momento de reformas na Corte, com mandatos fixos, aperfeiçoamento do modelo de indicação e de um Código de Ética efetivo. Volto, então, àquilo em que sempre acreditei: a democracia não se sustenta na força de um só poder, mas no equilíbrio entre todos eles e na vigilância permanente da sociedade civil. Ao povo brasileiro, e sobretudo à juventude que hoje herda esta crise sem tê-la criado, deixo o mesmo apelo que fiz ao deixar o Senado: que não desistam da política, nem do Brasil. 

A pátria é feita de quem rejeita a corrupção, a impunidade e a soberba dos que se creem acima da lei. Que essa pátria, mais uma vez, prevaleça.

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