Polícia

"REI DA FRONTEIRA"

Decisão judicial livra Fahd Jamil da condição de encarcerado domiciliar

Conhecido como Rei da Fronteira, ele conquista liberdade, mas será monitorado por tornozeleira eletrônica

Fahd Jamil, 81 anos, que cumpria prisão domiciliar desde de junho de 2021, há um ano e três meses, em Campo Grande, por supostas práticas de obstrução da justiça e de liderança de uma organização criminosa armada, teve o encarceramento domiciliar nulo, ou seja, a prisão revogada pelo juiz Roberto Ferreiro Filho.

Fahd morou a maior parte de sua vida em Ponta Porã, região de fronteira de Mato Grosso do Sul com o Paraguai. Lá, fez fortuna e foi tido como um dos mais ricos e influentes.

Depois de ter a prisão decretada, Fahd sumiu por cerca de um ano. Entregou-se em 2021. Por meio de seus advogados, ele conseguiu prisão domiciliar.

Os defensores alegaram que Fahd seria portador de distúrbio hidroeletrolítico, quando o paciente perde quantidade significativa de líquidos corporais e isso exigia um tratamento cuidadoso. 

Solicitação concordada judicialmente, Fahd, também conhecido como o Rei da Fronteira, teve de pagar uma fiança no valor de R$ 990 mil.

A DECISÃO

Agora, pelo medida judicial, Fahd, pode sair de casa durante o dia, retornar à noite, mas ainda será monitorado por equipamento eletrônico.

De acordo com a decisão do magistrado, Fahd, embora com a prisão domiciliar revogada, ele deve cumprir uma série de regras, como:

  • não deve mudar de residência sem prévia comunicação ao juízo;
  • não se ausentar da comarca na qual reside, por mais de oito dias, sem prévia autorização daquele douto juízo;
  • comparecer a todos os atos do processo, quando devidamente intimado, sob pena de eventual restabelecimento de sua prisão;
  • recolhimento domiciliar noturno no período compreendido entre 20h e 6h (de segunda a sexta), e durante o dia todo aos sábados, domingos e feriados (nestes casos, durante 24 horas);
  • monitoração eletrônica, pelo prazo inicial de 180 (cento e oitenta).

Gustavo Badaró e André Borges, advogados que cuidam da defesa de Fahd, assim que anunciada a revogação da prisão, afirmaram: “decisão seguiu o que está na lei, aplicável a todos; Judiciário mais uma vez fez o que é costumeiro: justiça”.

"Expeça-se, com urgência, alvará de soltura clausulado em seu favor [Fahd], com as condições elencadas acima", anunciou o magistrado.

Fahd Jamil foi denunciado pelo Ministério Público Estadual por suposta participação numa organização criminosa que agia em Ponta Porã. 

Fahd, que seria o chefe do bando, segundo o MPE, era parceiro de Jamil Name, que morreu ano passado de Covid, em ações criminosas. Os dois eram compadres. Name comandou o jogo do bicho em Campo Grande por décadas.

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