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ENTREVISTA

“Nosso principal desafio é desenvolver ferramentas para a retomada econômica”, diz João Rocha

Vereador João Rocha avaliou os últimos anos como presidente da Câmara Municipal de Campo Grande
24/12/2020 13:30 - Flávio Veras


O vereador e presidente da Câmara de Vereadores de Campo Grande, João Rocha (PSDB), avaliou o trabalho realizado nos dois anos à frente da Mesa Diretora da Casa de Leis, principalmente em 2020, ano impactado pela pandemia da Covid-19.  

De acordo com o parlamentar, o principal desafio dos Executivos municipal e estadual, bem como do Legislativo da Capital, será ampliar as ferramentas para fomentar a retomada da economia.  Rocha desistiu de disputar o comando da Casa de Leis para o próximo biênio 2021-2022. Na sessão de terça-feira (22), o tucano declarou apoio ao vereador e 1º secretário da Câmara, Carlão (PSB), para a presidência do Legislativo Municipal. “Neste entendimento, pensando na unidade, pensando na harmonia, entendemos que seria melhor que não tenhamos disputa nem uma Casa dividida na próxima legislatura. Trabalhamos pela unidade da Casa, para que tenhamos chapa única e que possamos dar seguimento a esse conceito que essa Casa conseguiu implementar. Esse é o nosso legado: unidade, harmonia e entendimento”, disse.

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Após a decisão, Rocha concedeu entrevista ao Correio do Estado. Entre os assuntos abordados, o vereador avaliou que o principal legado que a pandemia deixará a todos os cidadãos é o fato de que devemos pensar mais no coletivo, em vez de apenas no indivíduo.

CORREIO DO ESTADO: Quais serão os maiores desafios para o biênio 2021-2022?

João Rocha: O maior desafio para os próximos dois anos é a recuperação econômica no pós-pandemia. Portanto, nós, vereadores, precisamos estar prontos e produzir ferramentas necessárias para o enfrentamento da estagnação na economia ocasionada pela Covid-19. Contudo, nós acreditamos na recuperação da cidade e, principalmente, do cidadão campo-grandense.  

Neste ano vocês perderam um colega parlamentar (Onevan de Matos) para a Covid-19. Quais as lições que os parlamentares podem tirar desta pandemia?  

João Rocha: Toda a sociedade aprendeu que, ao se proteger contra o coronavírus, automaticamente está preservando a saúde do outro. Pensar no coletivo, não só apenas no indivíduo, é fundamental termos como legado dessa pandemia. Portanto, cada um de nós precisa fazer a sua parte para que possamos salvaguardar o todo.  

A pandemia é um dos maiores desafios enfrentados pelos gestores e legisladores de todo o mundo. Partindo deste ponto, como o senhor avalia o trabalho da Câmara ao longo deste ano perante a crise sanitária?

A Câmara esteve ao lado do Executivo oferecendo todas as ferramentas legais necessárias para o combate, desde a questão da normatização até a participação voluntária dos gabinetes dos vereadores, pois nessa hora pensamos mais na questão humanitária do que na parte política. Portanto, tudo aquilo que for necessário para ajudar, devemos estar prontos para contribuir com a população da nossa cidade.  

Como o senhor avalia essa politização da vacina em nível nacional. O Senhor acredita que os estados e municípios devem se movimentar para estabelecer legislações que possibilitem a imunização?  

Eu acho um absurdo a questão da politização de questões de saúde pública, pois devemos pensar primeiramente no cidadão e política deve estar em segundo plano. Em relação a uma legislação local para imunização da população, acredito que não devemos tratar de forma segmentada, onde as cidades deverão tratar sobre esse assunto, levando em consideração que não é algo local, mas sim um problema mundial. Agora é o momento de estabelecer uma política nacional de combate, pois essas vacinas devem ser disponibilizadas de forma responsável, baseadas em questões técnicas e científicas.

Com o decreto de estado de calamidade pública, os Executivos têm como dispositivo aplicação de recursos públicos sem a necessidade de abertura de licitação, por exemplo. Como a Câmara pode trabalhar com a sua prerrogativa de Poder Fiscalizador?  

Nós devemos fiscalizar em qualquer tipo de situação e vamos continuar com esse trabalho, independentemente de haver ou não a dispensa de licitações.  

As eleições municipais provocaram uma renovação no quadro de vereadores da Capital. Quais foram os principais fatores que influenciaram essa mudança?  

O eleitorado optou nas eleições por um perfil diferente ao parlamento. No entanto, eu sempre afirmo que os vereadores da atual legislatura sempre trabalharam com afinco e fazendo política de forma técnica, seja oposição, ou mesmo da situação. No entanto, vivemos em uma democracia e o eleitorado faz as suas escolhas e em 2020 entendeu que precisava ter uma mudança no retrato que havia, portanto, houve essa renovação.

O senhor acredita que a mudança na contagem do coeficiente, que passou dos votos obtidos pela coligação para apenas conquistados pelo partido, ajudou nessa mudança?

João Rocha: Eu sempre fui a favor de quem obtivesse mais votos deveria ocupar uma cadeira nos Legislativos brasileiros. Porém, a regra atual é essa e devemos estar aptos para nos adequarmos a ela. Apesar desse novo formato, acredito que não mudou muito em relação às regras que existiam anteriormente.