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Golpe de sucesso

Golpe de sucesso

Redação

27/01/2010 - 07h35
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“Cama de gato” faz jus ao nome. Com um ritmo pouco comum ao horário das seis da Globo, a novela tem na essência um emaranhado de golpes, segredos e armadilhas. E são nas reviravoltas da trama que as autoras Duca Rachid e Thelma Guedes têm seu maior trunfo para sustentar os índices de audiência na casa dos 25 pontos. Surpresas não faltaram em mais de três meses no ar: já teve faxineira se tornando secretária da presidência, personagens sendo desmascarados e empresário dando a volta por cima após ter virado catador de lixo. No primeiro momento, a rápida sequência de acontecimentos e revelações foi de desnortear. No intervalo de uma semana, o protagonista Gustavo, de Marcos Palmeira, anuncia que está vivo, retoma o controle de sua empresa e recomeça a dar sinais da arrogância que havia deixado para trás. E a antagonista Verônica, de Paola Oliveira, descobre que não ficou viúva, reconquista a confiança do ex-marido e arma um plano infalível para culpar Alcino, de Carmo Dalla Vecchia, por todos os seus crimes. A novela funciona com a lógica de que, a qualquer momento, tudo pode mudar. Mas a velocidade com que os eventos se desenrolam não traz prejuízos à trama. Pelo contrário. O enredo convincente e a história contada sem rodeios são um de seus maiores atrativos. Enquanto isso, a novela peca por um excesso de didatismo explorado em diálogos quase infantis, que batem sempre na mesma tecla dos valores morais. Isso fica evidente na figura da incorruptível Rose, de Camila Pitanga, e dos injustiçados Alcino, de Carmo Dalla Vecchia, e Davi, de Ângelo Antônio. As constantes lições de moral ficam ainda mais chatas, e menos persuasivas, quando se baseiam em Gustavo e na atuação pouco expressiva de Marcos Palmeira. Já no núcleo mau da história, a maior parte dos personagens não tem grandes nuances. Com um maniqueísmo evidente, Verônica, Severo e Roberto, vividos por Paola Oliveira, Paulo Goulart e Dudu Azevedo, muitas vezes lembram antagonistas de clássicos dramalhões mexicanos. E a trama não economiza quando se trata de personagens com desvios de caráter. Prova disso é a presença de várias outras figuras menos poderosas e igualmente interesseiras, como o malandro Tião, de Aílton Graça, a invejosa Heloísa, de Emanuelle Araújo, e a egoísta Adalgisa, de Yoná Magalhães. A julgar pela grande quantidade de personagens com valores distorcidos, muitos golpes e armadilhas podem ser esperados na trama de Duca Rachid e Thelma Guedes. E, nesse ninho de cobras, desfazer a cama de gato ainda vai exigir muitas reviravoltas.

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