Política

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Retrospectiva das obras de Lúcia Murat

Retrospectiva das obras de Lúcia Murat

Redação

15/03/2010 - 20h34
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A cineasta carioca Lúcia Murat, que será homenageada a partir de amanhã, às 19h, no Sesc Horto com exibição de 5 filmes, aproveitou a estada em Mato Grosso do Sul para revisitar a reserva kadiwéu, em Bodoquena, onde filmou algumas cenas do filme “Brava gente brasileira” (2000). “Estive dois dias na região e reencontrei algumas pessoas que participaram do meu filme. Notei mudanças com passar dos anos. Antes não havia luz elétrica na reserva, agora todos praticamente têm televisão. Resolvi registrar esse reencontro. O material pode se transformar em um documentário, mas não tenho nada definido”, aponta a diretora. “Brava gente...” obteve repercussão internacional. “No Canadá, onde a questão indígena também tem força, o filme obteve recepção positiva”. Lúcia avalia que os filmes que dirigiu apresentam situações limites e destacam as angústias que sente. O primeiro, “Que bom te ver viva”, que será apresentado na abertura da mostra do Sesc, destaca mulher que sofreu tortura no período do regime militar no Brasil. A obra traz muito da trajetória da diretora, que foi torturada pela atuação em organização clandestina de esquerda. “Meus filmes sempre apresentam preocupação com o outro”. As obras presentes na mostra são “Doces poderes” (1997), “Quase dois irmãos” (2004) e “Maré, nossa história de amor” (2007), além de “Que bom...” e “Brava gente...”. Lúcia acred it a que as produções cinematográficas feitas por diretoras após a retomada – período iniciado na metade da década de 1990, depois do fim da Embrafilme – apresentam novas possibilidades para o cinema brasileiro. “Acho que as mulheres trouxeram uma perspectiva subversiva, no bom sentido, fugiram de certos clichês. Mas acho que isso aconteceu também nos filmes feitos por homossexuais, nordestinos, entre outros”. A retrospectiva das obras de Lúcia é organizada pelo Sesc nacional e percorreu várias cidades como São Paulo, Taubaté e ainda passará por estados do sul e nordeste. “O Sesc restaurou meus dois primeiros filmes que estavam com problemas. A partir disso, lançou um box, reunindo os filmes de ficção que fiz”, comenta. O próximo projeto de Lúcia tem o título provisório de “Sala de espera” e enfocará personagens que viveram intensamente as transformações sociais e políticas da década de 1960. “Será uma espécie de ‘Invasões bárbaras (filme canadense de Denys Arcand) brasileira. Quero juntar aqueles que estiveram naquela fase e seus filhos. Devo iniciar as filmagens em novembro”. A mostra com os filmes da diretora foi batizada de “Cinco vezes Lúcia Murat” e integra a programação em homenagem às mulheres do Sesc.

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