Política

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Mestre Agripino recebe prêmio nacional

Mestre Agripino recebe prêmio nacional

Redação

23/03/2010 - 08h01
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Aos 91 anos, dos quais pelo menos 80 dedicados ao cururu – dança que “canta” em desafio ao som da viola de cocho, instrumento artesanal tombado pelo patrimônio histórico –, mestre Agripino Soares de Magalhães ganhou reconhecimento nacional com o Prêmio Culturas Populares 2009. Ele é um dos quatro cururueiros vivos de Corumbá e Ladário a preservar uma das manifestações populares do Pantanal. Único premiado de Mato Grosso do Sul, “seu” Agripino foi selecionado entre mais de três mil inscritos do País (mestres e representantes de grupos/comunidades). O Prêmio Culturas Populares é promovido pela Secretaria da Identidade e da Diversidade Cultural, do Ministério da Cultura. Os 195 contemplados foram anunciados durante o V Encontro Mestres do Mundo, realizado em Limoeiro do Norte (CE). “Nossa brincadeira agora está sendo valorizada, lutamos muito para conseguir esse apoio”, diz o velho mestre, sentado na varanda, aos fundos da casa, no Bairro da Cervejaria, ao lado da esposa, dona Maria Madalena, 81, e da neta Sílvia Helena. Esta, estudante de pedagogia, foi a responsável pelo projeto inscrito no concurso – um vídeo caseiro contando o trabalho do avô, de violeiro e fazedor da viola. Aposentado como estivador (trabalhou no porto de Corumbá, no auge do comércio fluvial), pai de dez filhos, o cururueiro aprendeu o ofício desde menino com o avô, em Poconé (MT), onde nasceu, e diz que perdeu a conta de quantas violas fez. “Pra mais de 300”. Hoje, por causa da idade, prefere apenas tocar. “A madeira (ximbuva) está difícil e o pessoal não quer pagar o merecido”, reclama. Único grupo Morando em Corumbá há mais de 60 anos, “seu” Agripino e mais seis companheiros, alguns da vizinha Ladário, mantiveram mais por amor e teimosia uma cultura oriunda de negros e indígenas, desprezada na própria região. O grupo se resume a quatro integrantes, com a morte, no ano passado, dos irmãos Brandão. “Os da minha época já raparam o pé, estou aqui firme ainda”, brinca o mestre. O cururu, segundo a professora e pesquisadora Marlei Sigrist, foi considerado, anteriormente, uma dança de homens associada a cultos religiosos ou profanos. Atua lmente, resume-se ao encontro de violeiros improvisando versos ou acompanhando o siriri, uma dança de roda na qual é permitida a presença da mulher. Ambos estão inseridos na celebração do tradicional Banho de São João. Cultura viva Nas últimas décadas, com a “descoberta” do cururu e do siriri por meio de gravações de discos e documentários, surgiram movimentos e propostas para sua preservação, em especial a arte de confeccionar a viola. Um dos trabalhos mais recentes nesse sentido nasceu no Moinho Cultural Sul-Americano, escola de artes criada há cinco anos com gestão da Ong IHP (Instituto Homem Pantaneiro), em Corumbá. A escola não apenas contratou o mestre violeiro para ensinar os alunos de música o feitio do instrumento e como tocá-lo. A viola de cocho, num total de oito, foi incorporada à Orquestra Vale Música, em formação com o apoio da OSB (Orquestra Sinfônica Brasileira) e Fundação Vale. O emprego e a oportunidade de ensinar deixam “seu” Agripino orgulhoso. “Fico feliz quando a criançada toca”, diz, emocionado.

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