Silvia Poppovic voltou à tevê depois de alguns meses fora do ar, com o “Boa tarde”, na Band. No ano passado, chegou a participar rapidamente do matutino “Dia dia”, ao qual emprestou seu carisma e poder de comunicação. Mas era pouco para um programa que não passava de um clone do “Hoje em dia”, da Record.
No “Boa tarde”, Poppovic não divide as atenções com mais ninguém. E funciona melhor assim. Consegue um bom “timing” para as entrevistas, a despeito de ser infinitamente mais falante que qualquer entrevistado. Um cacoete típico do rádio e da televisão, que odeiam o vácuo. E o silêncio.
Na verdade, o programa é claramente de ascendência radiofônica. Não há quase nada que prenda o olhar do telespectador na tela. É a voz segura e onipresente de Poppovic que mantém a atenção. Na tela, apenas a apresentadora e seus entrevistados, com raras inserções de imagens de arquivo e apenas uma ou outra entrevista pré-gravada que ajuda no tema discutido no dia.
Quem desviar o rosto do televisor e for cuidar de outras coisas, seja em casa ou no trabalho, vai se manter conectado com o que acontece na tela, tal e qual os bons e velhos programas de rádio. Como o “Boa tarde” não tem e nem pode oferecer as recentes notícias, reservadas para o horário nobre, ele procura discutir de maneira simples e clara os acontecimentos dos últimas dias. Semana passada, o destaque ficou obviamente com o caso Isabela Nardoni.
As pautas, bem escolhidas, eram muito apropriadas ao programa. Na segunda passada, a presença da polícia técnico-científica, porém, poderia ter sido mais bem aproveitada e apontar para o que – se espera – será o futuro da polícia, afastada de procedimentos “ex-offício”, como pau de arara, eletrocussão e outros métodos investigativos igualmente sofisticados.
Em compensação, Silvia Poppovic pontificou em um assunto no qual ficou mais à vontade: o papel da madrasta na família, tema de forte apelo emocional ainda mais intenso após o assassinato da menina e o julgamento do pai e da madrasta. Há algo de invariavelmente opinativo nesses debates vespertinos que parecem sucumbir ao último soluço de candura ou indignação. O que também lembra o rádio.
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