Política

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Quase simbiose

Quase simbiose

Redação

09/04/2010 - 20h02
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Mariana Trigo, TV Press

 

A voz baixa e pausada de Bruno Ferrari denuncia uma timidez que é combatida até pela escolha de ser ator. Com as mãos no cabelo arrepiado para o personagem Rodrigo, protagonista de "Bela, a feia", da Record, Bruno vai esmiuçando sua carreira como quem conta causos numa calma quase interiorana. Reflexo da infância do ator em Catanduva, no interior de São Paulo, onde nasceu e foi criado até os 14 anos de idade, pouco antes de largar seu emprego como "boy" de uma farmácia e ir para o Rio ser atendente no comércio do pai – que até hoje mantém a velha loja de ventiladores na Lapa, bairro do Centro carioca. Por trás da pose de galã da trama – sucesso em diversos países, desde a original colombiana "Betty, la fea" –, Bruno não se mostra tão envaidecido com a boa repercussão do personagem. "Esse é o personagem de maior destaque da minha carreira e é extremamente simples, leve como eu", avalia.

No início da história de Gisele Joras, o ator tentou se aprofundar em pesquisas para encontrar o tom do personagem. Assistiu a diversos episódios do seriado adaptado em diversos países, como México e Estados Unidos, mas não se sentia tão seguro com a composição. "Quando percebi que ele é mais parecido comigo que eu imaginava, acertei a mão. A partir do momento que comecei a aproximá-lo de mim, ficou fácil. Esse personagem, assim como eu, vê a vida de forma muito simples, vive muito o presente", compara.

Antes de começar a gravar, Bruno foi chamado para uma conversa com o diretor Edson Spinello, que recomendou um drástico regime para o ator. Em quase dois meses de dieta e malhação pesada, o ator paulista conseguiu perder quase 14 kg para entrar nas roupas engomadinhas do engravatado da história. "Sempre engordava e emagrecia para os personagens, mas nunca tive de fazer nada tão radical", valoriza.

Desde sua estreia como ator na Globo, como o tímido Guto, de "Sabor da Paixão", na Globo, em 2002, o ator conseguiu viver personagens bem diversificados, como o determinado Fábio, de "Celebridade" e o boa-praça Cadu, em "Malhação". Mas só quando foi para a Record, em "Cidadão brasileiro", que Bruno começou a atuar em papéis de mais destaque na tevê, como o vilão Tomás, de "Chamas da vida". Daí para ser chamado para seu primeiro protagonista, em "Bela, a feia", foi questão de tempo. "Não me vejo mudando de patamar como ator. Penso apenas que agora faço um personagem que tem muito mais falas para decorar. Me preocupo com um dia de cada vez", minimiza, com seu ar de bom-moço.

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