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Novo museu muda cenário francês
Novo museu muda cenário francês
A criatividade humana logo buscou definições para o mais novo prédio de Metz. Chapéu chinês, casa de Smurfs, lanterna mágica. Ou ainda cogumelo, arraia gigante, tapete voador. Se quiser ouvir outras tantas, basta perguntar a alguém no mercado ou numa rua como a Serpenoise, sempre agitada por causa de sua longa fileira de lojas.
A filial do parisiense Centre Georges Pompidou (nuvem, concha, onda...) aterrissou em meio a uma região vazia da capital de Lorraine, no nordeste francês. E veio com a disposição de transformar Metz num ponto de convergência artística. Representatividade que a vizinha Nancy teve a partir do fim do século 19, por ser uma das expoentes do estilo art nouveau.
Em volta do magnífico museu, inaugurado em maio, está surgindo um bairro inteiro, desde já chamado de Amphithéâtre, com opções culturais, gastronômicas e de consumo. E, espera-se, toda uma gama de serviços para receber os visitantes – por enquanto, há um único quatro-estrelas disponível, o bem localizado La Citadelle, no centro. Paris fica a parcos 90 minutos dali, graças ao trem de alta velocidade. Alemanha, Bélgica e Luxemburgo também ficam próximos.
Se o exterior do prédio idealizado pelos arquitetos Shigeru Ban e Jean de Gastines possibilita tantas interpretações (óvni, célula, colmeia...), o interior encanta pela amplitude, pelas galerias panorâmicas e pela distribuição da luz. A gigantesca manta ecológica que faz as vezes de teto garante luminosidade suave de dia e, à noite, com a ajuda de muitas lâmpadas, vira uma incrível malha tridimensional.
A manta é sustentada por pequenas vigas de madeira cortadas uma a uma e encaixadas com precisão. Quem está no vão central do museu e olha para cima vê infinitos losangos (ou seriam estrelas de Davi?), formando uma composição por si só artística e merecedora de atenção, independentemente das obras que estiverem sendo expostas no momento de sua visita.
Não que se possa questionar a qualidade do que está nas paredes e nos corredores. Para montar cada mostra, peças são escolhidas entre o vasto acervo do Pompidou de Paris – Metz não terá coleção permanente, apenas exposições temporárias.
Por que, então, se deslocar da capital? O museu espera resolver essa questão incentivando o debate sobre a arte. Em vez de tão somente agrupar Picassos, investirá em mostras como a inaugural Chefs-d’oeuvre?, que discute o conceito de obra-prima e segue até outubro.
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