Política

CLIMA DE DESÂNIMO

PSDB de MS joga a toalha ao abandonar campanha de Serra

PSDB de MS joga a toalha ao abandonar campanha de Serra

Redação

30/08/2010 - 07h47
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adilson trindade

A queda do candidato José Serra nas pesquisas para presidente da República criou clima de desânimo e crise no ninho do PSDB em todo o País. Em Mato Grosso do Sul, os tucanos e seus aliados jogaram a toalha e desistiram de fazer campanha de Serra. Eles estão mais preocupados em garantir a vitória deles a ficar “batendo cabeça” com um candidato a presidente, que está sendo sufocado pelas pesquisa apresentando o crescimento da petista Dilma Rousseff na corrida presidencial.

Segundo o Data Folha, Dilma está vencendo Serra até nos redutos tucanos, como São Paulo, Paraná, Rio Grande do Sul e Minas Gerais. Os números apresentados são desoladores para os tucanos que sonhavam em reconquistar a Presidência da República. Para piorar, a última pesquisa do Ibope mostra a petista com vantagem de 24 pontos percentuais sobre o tucano.

Até a otimista senadora Marisa Serrano (PSDB), coordenadora nacional da agenda de campanha de José Serra, sofreu o impacto das últimas pesquisas eleitorais. “Isso impacta a gente. Não é fácil, mas só podemos desistir no último minuto”, declarou Marisa, recentemente, ao jornal Folha de S.Paulo. “É ruim esperar o imponderável, mas precisamos lutar até o fim”, acrescentou.
Se Marisa só fala em desistir no último minuto, os seus correligionários em Mato Grosso do Sul nem pensam mais em pedir votos para Serra. Eles não seguem mais a recomendação da senadora para entrar de “corpo e alma” na campanha e viraram as costas para Serra. Os tucanos passaram a obedecer à chamada Lei de Muricy — a de cada um por si.

Mesmo assim, Marisa insiste no veemente apelo para os tucanos engajarem na campanha de José Serra no Estado. Não está sendo ouvida e vê a cada pesquisa naufragar a candidatura do presidenciável tucano.
Eles não querem se associar explicitamente a um candidato em deformação eleitoral. Enquanto isto, os petistas e seus aliados fazem questão de vincular as suas candidaturas à de Dilma e, sobretudo, colar a imagem à do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Isto ocorre nas ruas, nos comícios e no programa eleitoral gratuito no rádio e na televisão.

Esta atitude dos tucanos deixa Marisa mais desanimada e com a sua liderança enfraquecida em Mato Grosso do Sul. A senadora praticamente perdeu o controle do partido. Se os tucanos escondem Serra, os petistas e pedetistas exploram como podem a imagem de Dilma na campanha eleitoral nas ruas e no palanque eletrônico — programa de televisão. Turbinada por altos índices nas pesquisas eleitorais, a candidata petista se transformou num importante cabo eleitoral de seus correligionários sul-mato-grossenses. Em queda na preferência do eleitorado, todos querem ficar longe de Serra no Estado.

A reação do presidente regional do PSDB, deputado estadual Reinaldo Azambuja, com o desempenho de Serra nas pesquisas eleitorais, mostra a indisposição dos tucanos com a campanha presidencial no Estado. Ele declarou, dias atrás, estar focado apenas na sua campanha. O dirigente tucano deixou claro, portanto, estar ausente da campanha de Serra.

O máximo que os tucanos estão fazendo é citar o nome de Serra no programa eleitoral gratuito no rádio e na TV. O engajamento nas ruas e nos comícios é considerado perda de tempo. Isto passou a acontecer depois de Serra perder a liderança em Mato Grosso do Sul para Dilma nas pesquisas eleitorais. O último levantamento do Ibrape publicado pelo Correio do Estado, mostra que a petista ultrapassou o tucano por 43% das intenções de voto contra 40%. Marina Silva (PV) permaneceu com 8%.
O desânimo do PSDB é tão grande que o comando de campanha de Serra decidiu dar prioridade às eleições para governador em Paraná, Minas, São Paulo e Goiás. Eles esperam com este “esforço concentrado” alavancar a candidatura de Serra nestes estados para recuperar os pontos perdidos na disputa com Dilma.

“Há certos campos onde é mais fácil crescer do que em outros campos. Crescer em Minas é provável, em São Paulo vai acontecer. Em Goiás é possível e no Paraná também”, disse o presidente nacional do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE). Ele, também, falou que o crescimento recente de Dilma Rousseff nas pesquisas é apenas uma “onda”.

Nem o governador André Puccinelli (PMDB) está entusiasmado com Serra. Ele esqueceu o tucano e passou a mostrar na televisão a sua relação de amizade com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O efeito disto é não perder votos para José Orcírio.
O candidato a senador pelo DEM, vice-governador Murilo Zauith, passa longe de Serra na campanha eleitoral. Ele está cuidando muito mais de sua candidatura a do tucano na corrida presidencial.

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