Fábio Dorta, Dourados
Técnicos da Controladoria Geral da União (CGU) estão promovendo devassa nas contas da Prefeitura de Dourados para apurar desvio de verbas da gestão do prefeito Ari Artuzi (sem partido), afastado do cargo depois de ter sido preso acusado de corrupção na Operação Uragano da Polícia Federal.
O trabalho dos cinco técnicos enviados pela CGU será fazer levantamento sobre a aplicação de recursos federais destinados ao município, principalmente nas áreas de obras, educação e da saúde e apontar possíveis irregularidades, que poderão ser objetivo de investigações pelo Ministério Público Federal (MPF) e o Ministério Público Estadual (MPE).
A investigação foi solicitada pelo prefeito interino, o juiz Eduardo Machado Rocha. As investigações da Operação Uragano, que levaram além de Artuzi, o vice-prefeito Carlinhos Cantor, nove vereadores, empresários, secretários municipais e empresários para a prisão, apontaram desvio recursos em praticamente todos os setores da administração, mas a maioria dos rombos estaria exatamente em recursos desses três setores.
Propinas
Na Secretaria de Obras, por exemplo, conforme as investigações da Polícia Federal, as obras contratadas com recursos da União eram superfaturadas e as licitações vencidas por empresas indicadas por Artuzi ou outros integrantes do esquema, que, na maioria das vezes, ficavam com 10% do valor. Foram relatados casos em que o percentual repassado para o pagamento de propina era ainda maior.
Na Secretaria de Educação, o maior gargalo era no pagamento à GWA, empresa responsável pelo transporte de estudantes para a zona rural. De acordo com as investigações, mensalmente a empresa repassava R$ 60 mil ao prefeito. A prefeitura pagava a empresa até mesmo durante o período de férias, quando nenhum serviço era executado. Neste caso Artuzi teria recebido em um único mês R$ 300 mil.
Na Saúde, a “lambança” era ainda maior. De acordo com o secretário Municipal de Governo, Eleandro Passaia, autor das denúncias que resultou na Operação Uragano, cerca de R$ 2 milhões eram desviados mensalmente do setor para beneficiar tanto o prefeito, quanto os vereadores que faziam parte do esquema.
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