Em pouco mais de um ano, Dourados foi o centro das duas maiores operações policiais em todo o Mato Grosso do Sul, envolvendo um forte esquema de corrupção com a participação de políticos, empresários, profissionais liberais e servidores públicos. A primeira foi a Operação Owari, em julho de 2009, que “abriu o leque” para uma série de revelações sobre crimes cometidos na Prefeitura de Dourados. A outra, deflagrada no dia 1º de setembro deste ano, foi a Operação Uragano.
A Owari investigava, desde 2007, denúncias de uma ex-funcionária de Sizuo Uemura, proprietário de várias empresas no município, entre elas funerárias e duas concessionárias de veículos. A PF detectou, por meio de gravações telefônicas autorizadas pela Justiça, a existência de uma quadrilha, comandada pelo empresário, que fraudava licitações nas prefeituras de Dourados e região. A organização criminosa direcionava certames, especialmente na área de saúde e de limpeza urbana, para favorecer empresas ligadas ao grupo Uemura e aos irmãos Eduarte e Everaldo Leite, alvos da Operação Brothers.
Entre os contratos sob suspeita está o arrendamento pela prefeitura do Hospital Santa Rosa (Hospital da Mulher), por R$ 100 mil ao mês. O hospital de propriedade dos Uemura estaria falido e já não estava dando lucros à família.
No dia 7 de julho de 2009, foram presas 41 pessoas, entre vereadores, secretários municipais da administração de Ari Artuzi e da gestão anterior, o vice-prefeito Carlinhos Cantor (PR), profissionais liberais e empresários. Todos foram soltos dias depois. Além dos presos, a PF ainda indiciou outras 32 pessoas, entre elas, Artuzi.
A partir das Operações Owari e Brothers, todo o processo licitatório feito pela Prefeitura de Dourados passou a ser alvo de desconfiança. Os procedimentos não eram, de fato, rigorosos, como identificado pela Operação Uragano.
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Dourados foi centro de duas operações da PF
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